Gabriel narrando Era noite de baile. A rua principal da favela do Magrão tava tomada de carros pretos, blindados, motos de luxo, gente com segurança particular. Cada chefe que pisava ali vinha com um ar de poder e desconfiança. A fachada da boate brilhava como se fosse coisa de cinema. Luzes vermelhas, roxas, o letreiro piscando o nome do lugar como se aquilo ali fosse o novo império da perdição. Mas pra mim… aquilo era um covil. Um cativeiro de luxo. Desci do carro com o coração batendo firme no peito. Vini e Léo logo atrás, discretos, atentos. Cada um de nós vestia roupa social escura. No disfarce, éramos só mais três convidados pro grande espetáculo da noite. — Qualquer passo errado, vocês sabem o que fazer — murmurei, sem olhar pra trás. — Tamo contigo até o fim, irmão — Léo res

