Vanessa narrando Quando a porta do carro foi aberta, senti o sol bater direto no meu rosto, mas nada aquecia mais meu corpo. O medo congelava tudo por dentro. Dois dos capangas me puxaram pelo braço. Eu continuei calada. Não iria demonstrar fraqueza. Nunca. A casa era grande, diferente das outras construções da favela. Dava pra ver que o tal do Maurício queria ostentar, mesmo no meio do caos. A entrada era cercada por muros altos e câmeras. Tinha um portão de ferro que rangeu quando se abriu. Entrei sem lutar. Meus olhos estavam atentos, registrando cada canto, cada detalhe. Como Gabriel sempre dizia: “fique atenta aos caminhos, até quando tudo parecer perdido”. Subiram comigo dois andares. O corredor era longo e abafado. Ao final dele, uma porta de madeira escura se abriu. Era um quar

