Gabriel narrando... Eu pisei fundo no acelerador, o ronco da caminhonete ecoando pelas vielas estreitas da favela. A frase dela não saía da minha cabeça. "Eu não sou igual as outras." Como se ela fosse especial, como se tivesse algo diferente. A ousadia daquela mulher era inacreditável. — Quem essa mina pensa que é? — murmurei, sentindo o maxilar travar de novo. O volante chiou sob a força das minhas mãos. Cheguei em casa mais rápido do que esperava. A casa no alto do morro, cercada por seguranças, imponente e afastada de qualquer um. Joguei a chave em cima da mesa e arranquei a camisa, caminhando direto pro subsolo, onde ficava minha área de treino. As luzes acenderam automaticamente, iluminando os sacos de pancada, os pesos e o tatame. Era o único lugar onde eu conseguia descarregar

