Capítulo 6

1330 Words
Carlos Eduardo percebeu que não seria fácil obter o perdão de Linda. Ela o evitou e em nenhum momento deixou que se aproximasse. Com isso, ele decidiu ir embora, mas antes cumpriu com as ameaças e deixou claro para Rebecca que a sua família nunca mais teria a mesma imagem na cidade. Rebecca manteve - se na Universidade, mas a sua família já não tinha o mesmo prestígio dentro da alta sociedade. - Tens a certeza de que ir embora é a melhor solução filho? - Tenho sim Pai. Eu preciso de organizar a minha vida. A dor que sinto não vai passar se eu estiver aqui. - Eu entendo. Diz - me ao menos para onde vais. - É melhor não Pai. Não quero nenhuma visita surpresa da minha mãe. Preciso e quero estar sozinho. Voltarei quando me sentir preparado para isso. - Está bem filho. Faça uma boa viagem. E ligue está bem? Sentiremos saudades. - Eu ligo sim Pai. Por favor diz a minha mãe que eu a amo muito. Adeus Papai. - Adeus Filho. Carlos Eduardo subiu no carro e foi para o aeroporto. Despediu - se de Gustavo sem dizer a ele para onde iria. - Até breve irmão. - Até breve Cadú. Ligue sempre que quiseres. - Assim farei. Me mantenha informado sobre tudo está bem? - Claro que sim amigo. E peço que faças o mesmo está bem? - Claro que sim. Cadú dirigiu - se para a sala de embarque. Fez um último adeus ao seu amigo e entrou sem olhar novamente para trás. Gustavo estava dividido. Viu o seu melhor amigo ir embora com o coração destroçado e nada podia fazer para o ajudar. Carlos Eduardo tinha sim cometido um erro, mas isso não significava que se afastaria dele ou poria fim a amizade que tinham desde tenra idade. Por outro lado, Linda também estava destroçada. Ela não viu as belas paisagens por onde passava, pois os seus olhos estavam cobertos por lágrimas que não paravam de cair. - Senhorita! Está tudo bem?...- A mulher que estava ao seu lado perguntou com ar preocupado. - Sim. Está sim. Obrigada. - Pois não parece. Se continuares a chorar desta forma vais acabar desidratada. - Não consigo parar. A dor que sinto é forte demais para ignorar. Mas, vou me segurar para evitar as lágrimas. - Muito bem. Tu és jovem. E seja o que for que tenha te magoado tanto, tenho a certeza que o tempo será o melhor remédio para que superes. - Obrigada por suas gentis palavras. O meu nome é Linda. - Prazer querida. Sou a Bárbara. Mas todos me chamam de Bá. Vais morar com alguém lá em Vila Lisboa? - Sim. Com a minha madrinha. O nome dela é Teresa Tavares. - Sério?! És afilhada da Tieta? - Sim. A Senhora a conhece? - Claro que conheço e há muitos anos. A Tieta e eu somos a dona da única Pastelaria & Cafeteria da Vila. Somos sócias e muito amigas. - Que coincidência. Agora me sinto mais segura. - Ela sabe que vais para lá? - Sim. Mas não contei tudo. Deixei a maior parte para contar pessoalmente. É tudo muito difícil para contar por telefone. - Eu não tenho dúvidas que vais superar o que quer que tenha acontecido. - Eu espero que sim. Durante o resto da viagem Linda e Bá foram conversando. Respeitando a privacidade da jovem, Bá não fez perguntas pessoais. - O meu filho mais novo também está na nossa universidade. Ele está fazendo medicina. É um orgulho para mim..O mais velho é Advogado. - A Senhora só tem os dois? - Sim. Eles são a razão da minha vida. Perdi o pai deles muito cedo. Agora eles cuidam de mim e para uma mãe é uma bênção. - Eu posso imaginar. O ônibus parou para que os passageiros pudessem esticar as pernas, ir ao banheiro e comprar alguma coisa para comer. Linda e Bárbara foram juntas mas não demoraram muito. Ainda tinham mais 4 horas de viagem. O celular de Linda tocou e ela atendeu após notar que era a sua madrinha. - Alô madrinha. - Olá meu amor. Onde estão agora? - Na Vila Azulina. Comprei comida, água e fui ao banheiro. - Muito bem filha. Eu estarei atenta e vou pegar você. - Está bem madrinha. - Certo. Se cuide filha. Teremos muito para conversar. - Eu sei. E espero muito ter o seu apoio. O Papai está sem falar comigo. - Falamos sobre isso quando chegares..Dê um tempo a ele. Isto vai passar. - Está bem madrinha. Em breve estaremos juntas. Até mais. - Até mais filha. Linda e Bá desceram na sua paragem e pegaram o mesmo táxi. Foram falando pelo caminho, e Linda deixou claro que pretendia trabalhar para poder estudar durante a noite. - Isto é óptimo querida. Vai ser óptimo ter você a trabalhar com a gente. O que estudas na Universidade? - Arquitetura e Designer. Amo ambas as coisas e por isso uni o útil ao agradável. - Isto é maravilhoso. Espero que você e o meu Lucas sejam bons amigos. - Me desculpe Bá. Mas o meu coração está ferido demais e neste momento não desejo nenhuma aproximação masculina. Especialmente agora. - Está certo. Eu entendo. Me desculpe querida. Eu sei o quanto o seu coração está ferido. - Está sim. E esta ferida não vai cicatrizar agora. Vamos? A minha bagagem está toda aqui. - Vamos sim. A tua madrinha já deve estar esperando. As duas foram e encontraram Teresa esperando por elas. Assim que a viu, Linda desceu do táxi e correu para ela chorando muito. - Madrinha! - Minha menina! Eu estou aqui. Por favor não chores. Vais superar tudo isso. Eu prometo. - Olá Teresa. - Bá! Que surpresa. Vocês chegaram juntas? - Sim. Nos conhecemos no ônibus e por coincidência descobrimos que vínhamos ao mesmo lugar. Quando ela me disse quem era a sua madrinha, soube logo que era você minha amiga. - Isto é tão bom. Estavas muito bem cuidada filha. - Verdade madrinha. Mas eu...- Linda sentiu uma tontura e Teresa a segurou para não cair. - Linda! O que você tem? - A viagem foi longa Tieta. E nós comemos há mais de 3 horas. - Vamos para a minha casa. Ela vai tomar um banho, comer e descansar. - Está bem madrinha. Podemos ir. Tenho que ligar para a Mamãe. As meninas também estão esperando notícias. - Cuidaremos disso amanhã. Foram todas á casa de Teresa. Após ver o seu quarto, Linda tomou um banho, trocou de roupa e desceu para comer. - A Bá foi embora madrinha? - Sim. Ela mora a um quarteirão daqui. Amanhã vem ver você. - Tudo bem. Eu gostei muito dela. - Senta e toma esta sopa. Ela também gostou muito de você. Eu vou tomar apenas um café. Estás pronta para me contar a razão de teres vindo às pressas? - Sim. A noite será longa. Mas eu tenho que contar tudo. Após terminar de comer, Linda sentou na sala com a madrinha. Ela contou tudo e no final estava aliviada. - Oh meu amor. Eu lamento tanto que tenhas passado por isso. Você ainda o ama? - Sim. Eu o amo muito e me sinto burra por isso. - Não meu amor. Amar nunca será uma burrice. Ele sabe que estás grávida? - A Senhora percebeu? - É claro. E a Bá também. Mas, respeitamos a tua privacidade. - Não. Ninguém sabe além da Mamãe e do Papai. Nem mesmo as minhas irmãs. Não pude contar a elas. - Por isso ele não fala com você? - Sim. É por isso que ele está zangado. - Eu estou do teu lado filha. Mas, tudo vai terminar bem. Mas, um dia ele terá de saber. É um direito que não podes tirar dele. Linda sorriu e abraçou a madrinha. Sabia que tudo estava apenas no começo.
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