Capítulo 9

1342 Words
Carlos Eduardo não aguentava mais ter que fingir estar tudo bem na presença de sua sócia. Maria Clara estava a exagerar e ele por pouco não perdia a sua pouca paciência. Após retornar para o funeral de sua Avó, ele permaneceu para abrir a sua firma de arquitetura ao lado de Gustavo. A amizade deles manteve - se ainda mais forte com o passar dos anos. Gustavo mantinha - se leal ao amigo e sabia o quanto ele tinha sofrido com a viagem de Linda. Na pausa para o café, Gustavo decidiu contar ao amigo a verdade sobre o retorno de Linda, mas não mencionou o filho dela. - Cadú! Eu tenho que te contar uma coisa. - Claro. O que é? - A Linda vai voltar. A Vanessa me contou que o pai delas está doente e ela o vem visitar. - Lamento pelo pai delas. Espero que se recupere. - Obrigado amigo. Já pensaste na possibilidade de a reencontrar? - Sim. Imensas vezes e passaram 8 anos. Não vou mais me sujeitar a tal sofrimento. Está na hora de seguir com a minha vida. A Linda faz parte do meu passado. - Tudo bem. Eu entendo que queiras seguir com a tua vida. Mas não escolhas a Maria Clara por favor. Temos que encontrar um jeito de nos livrarmos dela. - Já pensei nisso. Primeiro vamos conseguir o contrato para a Vila Resort do Dominic Valêncio, e depois disso eu a vou demitir. - Demitir? Ela vai exigir que paguemos a rescisão do contrato. Vais fazer isso? - Se for necessário sim. Não a quero mais aqui. E estou pensando em termos novos sócios, mas desta vez seremos mais exigentes na escolha. - Tudo bem. E quando terás a última reunião com o Valêncio? - Em dois dias. Ele vai ficar no Hotel do Mac. Combinamos um almoço para acertarmos se vamos ou não fechar este contrato. Caso ele aceite, o nosso prestígio só vai aumentar e poderemos dar a todos os nossos funcionários um excelente bônus e aumento salarial. - Olá Senhores! Eu procurava por vocês...- Maria Clara estava ao lado deles que já tinham parado de falar. - Bem Cadú! Eu vou tratar daquele assunto está bem? Falamos mais tarde. - Obrigado amigo. Até logo. O que você quer Maria Clara? - Saber porque você ainda não confia em mim. Carlos Eduardo nós somos sócios. - Mas não por muito tempo. Sei que só estás aqui por causa da minha mãe. Pois vai ter com ela e diz que não conseguiste nada. Eu não vou ficar com você. Carlos Eduardo levantou e a deixou sozinha. Ele estava certo. Maria Clara conhecia a mãe dele e usou a sua boa capacidade de persuasão para a convencer de que ela era a mulher ideal para fazer Cadú feliz. Mas nada aconteceu. Carlos Eduardo a aceitou como sócia por meio de um contrato cujo o prazo estava prestes a terminar. Apesar disso, Maria Clara não estava disposta a desistir. Ela só não contava que teria de enfrentar a fúria de Linda, e ainda a presença de um filho que a ligaria á Carlos Eduardo para sempre. DE VOLTA Á CASA Linda desceu do carro e olhou para o imponente hotel. Há 8 anos a estrutura não existia, e agora era a mais bonita e conhecida da Cidade. Ela ficaria no hotel até que fosse terminada a decoração da casa e assim faria a sua mudança. - A Mamãe não vai gostar de saber que vocês ficarão num hotel. - Eu sei Bia! Mas, é a minha vontade. Já somos adultas e independentes. - Tudo bem. Eu estou falando, mas nós também vivemos sozinhas. Vais ao jantar que ela marcou? - Claro que sim. Eu e o Miguel lá estaremos. Só não estraguem a surpresa por favor. Vanessa e Bianca foram para as suas casas. Após fazer o check-in, Linda e o filho foram ao quarto. Eram já meio-dia quando decidiram descer para almoçar. Foram ao restaurante e logo que entrou ela teve a maior surpresa e choque da sua vida. Diante dela estava ninguém mais do que o homem que no passado tomou posse do seu coração. Carlos Eduardo Palhares agora um homem estava lá em pé e caminhando para a saída também parou quando a viu e ao seu lado estava um menino. Nenhum dos dois dizia nada pois ambos estavam chocados demais para dizer alguma coisa. Foi o menino quem quebrou o silêncio. - Mamãe! Mamãe o que houve? Carlos Eduardo então voltou á realidade e olhou novamente para o menino, reconhecendo a si mesmo nas feições dele. - Olá Cadú!... - Linda finalmente falou, mas foi literalmente ignorada, pois ele saiu do restaurante a deixando no lugar com o filho. Ele voltou seguido por um homem elegante, e voltou a passar como se não a tivesse visto antes. Mesmo com o orgulho ferido, Linda pegou na mão do filho e foram sentar - se para almoçar. Ele não entendia nada, mas prestou atenção ao mome dito por sua mãe, não fazendo comentários sobre o ocorrido. Na outra mesa, Carlos Eduardo fazia o máximo para prestar atenção às palavras de seu convidado. Finalmente fecharam um acordo e pediram o almoço. Ele comeu e por alguns instantes esqueceu que tinha visto Linda diante de si com um menino que a chamava de mãe. - Eu agradeço muito por confiares na minha firma Valêncio. Garanto que não vais te arrepender. - Não tenho dúvidas disso. Aliás, antes do meu retorno eu gostaria muito que fosses jantar lá em casa. A Marina sente a tua falta. - Claro que vou. Será muito bom voltar a ver uma grande amiga. Pode ser sexta - feira? - Claro. Falarei com ela hoje mesmo. Até á próxima Cadú. O homem foi embora. Carlos Eduardo pagou a conta e saiu sem olhar para a mesa de Linda. Ela levantou pedindo ao filho que não saísse do lugar e foi atrás dele. - Carlos Eduardo por favor espera. - Eu esperei por 8 anos Linda. Acho que passei do meu limite. - Não foste o único. Nós temos que conversar. Por favor. - É sério Linda? As tuas palavras não te fazem lembrar de nada? Eu fiz o mesmo pedido várias vezes há 8 anos, mas você simplesmente me ignorou e foste embora. O que temos para falar agora? - Muitas coisas. Tenho uma revelação para fazer. - Fale! Estou ouvindo. Você está casada e agora estás aqui para esfregar isso na minha cara? - Claro que não. O menino que você viu ao meu lado. Ele é nosso filho. - O Quê? O que disseste? - Podemos falar lá dentro por favor? - Não. Apenas repita o que disseste. - Ele é nosso filho Cadú. Chama - se Miguel Eduardo Palhares. Por favor! Vamos conversar. Eu tenho que contar porque... - Porque escondeste isso de mim por 8 anos Linda? Foi para te vingares? - Não. Eu jamais pensei em me vingar de você. Cadú eu... - Agora não Linda. Por favor vai embora. Entre no restaurante e me deixe sozinho. Não quero ouvir mais nada agora. - Cadú! - Por favor Linda. Não me obrigues a te magoar. Amanhã eu venho e prometo que falaremos com mais calma. Hoje não estou em condições. - Tudo bem. Eu lamento Cadú. Não queria contar desta forma. Não aqui na rua e... - Até amanhã Linda. Carlos Eduardo foi embora. Subiu no carro sem olhar para trás e nem percebeu que Linda estava com os olhos húmidos. Ela controlou - se para não chorar e foi buscar o filho. Subiram á suíte e depois de deixar o menino brincando, ela foi ao seu quarto e deixou as lágrimas caírem. Viu nos olhos de Carlos Eduardo mágoa e decepção. Ele a olhou do mesmo jeito que ela tinha feito há 8 anos quando ouviu as palavras de Rebecca. Sabendo que não seria fácil uma reaproximação, ela decidiu esperar até ao dia seguinte. Carlos Eduardo sempre cumpria as suas promessas.
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