Capítulo 05

1403 Words
Um cliente inesperado Beatriz _______ Olho no relógio e tudo o que eu queria eram mais cinco minutos dormindo na minha confortável cama, mas nem tudo é como queremos. Infelizmente. — Levanta Beatriz, senão vai se atrasar para o trabalho. — ouço a minha mãe dizer. Levanto da cama, com a força do ódio. Fui pro banho e depois vesti a minha roupa de trabalho, peguei as minhas coisas e fui pra cozinha arrumar o meu café. — Preciso que você passe na costure costureira pra mim depois do seu trabalho. — minha mãe diz. — Tá bom, é pra eu pegar o que? — pergunto. — Uma saia. — ela respondeu. — Tá bom. — falo. Ela foi pro quarto dela, tomei o meu café e depois terminei de arrumar as minhas coisas. Mandei mensagem pra Mariane avisando que eu já estava saindo de casa. Ela disse que também já estava saindo da casa, ela mora um pouco longe de mim, mas eu sempre espero ela é nós vamos juntas, já que o centro da cidade não é tão longe assim. — Já tô indo mãe. — falo. — Bom trabalho filha. — minha mãe gritou. Peguei a minha bolsa e saí de casa, fechei a porta e comecei a fazer o mesmo caminho de sempre e fiquei esperando a Mariane em uma esquina, de longe eu vi ela e acenei, ela acenou de volta e caminhou até mim. — Bom dia. — Mari disse. — Bom dia. — disse. Fomos o caminho todo falando sobre a faculdade, assim que chegamos na lanchonete, Mariane abriu a porta, normalmente é ela que fica com a chave. Ela abriu e eu entrei e fomos guardar as nossas coisas, coloquei o avental e então fui trabalhar. Limpei o chão e coloquei as cadeiras para baixo, depois limpei a mesa. Não demorou muito e o pessoal da cozinha chegou, cada um foi pro seu lugar. — Você ainda não achou nada sobre o cara da balada? — Mariane perguntou. — Não, parece que ele não existe. — falei. — Estranho, será que ele não tem mais um nome? — ela disse. — Sei lá, já me convenci que é apenas um cara que eu beijei na balada. — Gabriela disse que ele era bonito, mas eu não vi ele. — ela disse. — Um grande gato, cheiroso e com um olhar bem forte sabe?! — falo e ela ri. — Ficou caidinha por ele né? — ela perguntou rindo. — Nem deu tempo. — falei e ela riu. O primeiro cliente que chegou eu atendi, ele pediu apenas um café. A manhã estava sendo tranquila. Depois que o pessoal da cozinha tinha feito alguns salgados resolvi colocar o lixo na rua, como eu sempre faço. Peguei o lixo e saí, coloquei ele na lixeira e observei a movimentação do centro, não estava muito cheio, mas também hoje ainda é quarta feira. Entrei de volta e fui lavar a minha mão. Vou caminhando até o balcão, percebo que tem um cara sentado a mesa em frente ao balcão, ele usava terno, mas evitei olhar pra ele pra não ser m*l educada. — Nossa o cara da mesa é um tremendo gato. — Mariane diz baixinho pegando dois pães de queijo. — O que? — pergunto rindo. — Olha ali menina. — ela diz. Então disfarçadamente olhei pra ele, mas ele estava olhando, então eu não pude olhar melhor. Mas aquele rosto era familiar. Fiquei no caixa e a Mariane foi atender as outras mesas. Depois de alguns minutos percebi que o rapaz de terno levantou e veio em direção ao balcão. — Quanto que ficou? — Ouço uma voz bem familiar perguntar. O perfume também era familiar. Subo os meus olhos até o rosto dele, então faço uma cara de espanto, quem eu menos esperava ver por aqui. Carlos. O cara da balada. — Carlos? — perguntei um pouco tímida Afinal eu não esperava vê-lo. Ainda mais no meu trabalho, aonde sou integralmente f**a. — Eu. — ele fala com um leve sorriso. — Ficou R$09,00 reais. — falo olhando nos olhos dele. Ele abre a carteira e tira uma nota de 20 reais e me entrega. — Pode ficar com o troco. — ele diz e balanço a cabaça em negação. — De jeito nenhum 11 reais é muito troco. —falo imediatamente. — Eu insisto. — ele fala. — E eu continuo dizendo que não — falo outra vez. — Tudo bem, posso pelo menos deixar o 1 real? — ele pergunta enquanto pega a nota de 10 reais que eu estava entregando pra ele. — Tudo bem. — falo. Ele guardou o dinheiro na carteira e por fim guardou a carteira no bolso do seu terno. Fez tudo isso ainda me olhando. — Foi bom te rever Beatriz. — ele disse e me fez dar um leve sorriso. — Foi bom te ver Carlos. — falo enquanto ele se vira e então ele deu um sorriso. Fico vendo ele ir embora e a Mariane veio na minha direção com cara de espanto. — Quem era ele? Vocês se conhecem da onde? — ela pergunta toda curiosa e confusa. — Ele é o cara da balada. — falo e ela me encara boquiaberta. — Você tá de brincadeira que ele é o cara da balada, minha filha é por isso que você não parava de falar nele. — ela diz e caímos na risada. Saio do trabalho depois de um dia inteiro em pé e bem cansativo. Na minha cabeça só tinha a cena do Carlos, eu nunca tinha visto ele por ali, nem mesmo antes da noite da balada. — Até mais tarde. — falo pra Mariane. — Até. — ela diz sorrindo. Já era um pouco mais de 16:00 horas, então fui na costureira buscar a saia da minha mãe e depois fui pra casa de ônibus, porque eu me neguei em ir a pé depois de trabalhar quase metade do dia todo em pé. Cheguei em casa deixei a saia da minha mãe no seu quarto, fui pro meu, peguei as minhas coisas e fui pro banho. Me arrumei e fui tomar o meu café, eu sempre trago pra casa os salgados da tarde, porque eles sempre fazem mais e pra não vender salgado murcho. Tomei o meu café e vi a minha grade de aulas, arrumei a minha bolsa e então terminei de me arrumar. Resolvi mandar mensagem pra Gabi, avisando que eu já estava saindo de casa. — vou pegar o 3651. — falo. — É o que para na esquina da faculdade? — ela perguntou. — É. — respondi. — Então vou pegar ele também. — Tá bom, já tô saindo de casa. — Eu já sai, já tô no ponto. — Ok. Coloquei o celular no bolso, olhei se o meu bilhete estava lá, depois sai de casa e tranquei a porta. Fui caminhando calmamente até o ponto de ônibus que não tinham muitas passos. Não demorou e o ônibus estava vindo. Entrei e passei a catraca. Vi a Gabi em pé em frente a um banco ela me viu e sorriu. — Como vai? — perguntou e me deu um beijo no rosto. — Cansada como todos os dias. — falei. — Isso é de praxe. — ela disse. Ficamos uns minutos em silêncio, até que me lembrei que eu tinha que contar pra ela o que havia acontecido hoje. — Preciso de contar uma coisa. — falo empolgada. — Conta. — ela disse sorrindo. — Lá estava eu né, no meu trabalho como sempre, pensando naquele cara da balada, porque eu não achei ele em lugar nenhum. Então eu fui colocar o lixo e depois fui lavar as mãos e de repente ele estava lá. — falo e ela me olha surpresa. — Na lanchonete? Tá de brincadeira. — ela fala sem acreditar. — Ele mesmo, quando ele perguntou quando tinha dado o que ele consumiu eu olhei pra ele. E lá estava ele olhando pra mim com aqueles olhos. — falei. Ela ainda estava me olhando com cara de chocada. — E aí? — ela perguntou. — Ele pagou, ainda queria deixar 11 reais lá, mas eu não aceitei, falei que era demais. — Caraca que mundo pequeno. — ela disse. — Pra você ver. — digo. Nosso ponto chegou, descemos e fomos pra faculdade.
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