Isadora permaneceu em silêncio por um momento antes de falar. "E se tentarmos abordar isso de outra forma? Talvez a solução não seja buscar os culpados, mas criar mais transparência. Se todos souberem o que temos e como está sendo distribuído, talvez possamos evitar esses furtos."
"Você acha que isso será suficiente?" Naomi perguntou, cética.
"Não sei," Isadora respondeu honestamente. "Mas vale a pena tentar antes de tomar medidas mais drásticas."
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**A Transparência como Arma**
Naquela tarde, o conselho anunciou uma nova política: todas as informações sobre os suprimentos seriam divulgadas em painéis públicos. Uma equipe foi designada para registrar as entradas e saídas de recursos, e todos os moradores podiam verificar os números a qualquer momento.
A princípio, houve resistência. Algumas pessoas murmuraram que isso era uma invasão de privacidade ou que complicaria ainda mais o dia a dia. Mas, gradualmente, a iniciativa começou a trazer resultados. Os furtos diminuíram, e a confiança no conselho cresceu.
Isadora observava tudo de longe, sentindo um misto de alívio e cautela. Sabia que os apoiadores de Zeke ainda não haviam desaparecido e que, em algum momento, eles poderiam tentar algo mais direto.
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**Um Visitante Indesejado**
Era noite quando o primeiro incidente sério aconteceu. Isadora estava em sua barraca, revisando um mapa do território ao redor do acampamento, quando ouviu gritos.
"Dante!" alguém chamava desesperado.
Isadora saiu correndo, encontrando uma pequena multidão reunida perto do depósito de suprimentos. No chão, havia marcas de sangue e um dos vigias, um jovem chamado Felipe, estava sentado, pressionando um corte no braço.
"O que aconteceu?" Isadora perguntou, ajoelhando-se ao lado dele.
"Eu... Eu peguei alguém tentando entrar," Felipe disse, ofegante. "Eles estavam encapuzados, mas tinham uma faca. Eu tentei detê-los, mas... eles me cortaram e fugiram."
Dante chegou logo depois, analisando a situação com um olhar duro. "Precisamos aumentar a segurança," ele disse. "Isso não pode continuar."
"Você viu quem era?" Isadora perguntou a Felipe.
Ele balançou a cabeça. "Não consegui ver o rosto. Mas acho que era um homem. Alto, forte."
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**A Reação da Multidão**
O incidente gerou um novo surto de tensão. Alguns começaram a exigir punições severas para qualquer um pego roubando, enquanto outros pediam mais vigilância.
"Estamos voltando ao que era antes," alguém gritou no meio da multidão.
"Isso é diferente!" Dante respondeu, tentando acalmar os ânimos. "Estamos trabalhando para evitar isso, mas precisamos de tempo."
Isadora ergueu as mãos, pedindo silêncio. "Eu sei que todos estão com medo," ela disse, olhando para cada rosto. "Eu também estou. Mas não vamos deixar esse medo nos dividir. Precisamos enfrentar isso juntos, como fizemos até agora. E vamos encontrar quem fez isso, sem recorrer a julgamentos precipitados."
A multidão começou a se dispersar, mas o clima de desconfiança ainda pairava no ar.
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**Uma Descoberta Inesperada**
Na manhã seguinte, enquanto inspecionavam o local do ataque, Dante encontrou algo no chão: um pedaço de tecido escuro.
"Pode ser do invasor," ele disse, mostrando a Isadora.
"Talvez," ela concordou, pegando o tecido para analisá-lo. "Mas isso não nos dá muitas respostas."
Mais tarde, Naomi sugeriu algo que Isadora não havia considerado. "E se não for alguém de fora? E se for alguém daqui?"
A ideia era perturbadora, mas fazia sentido. Com tantas pessoas ainda divididas em suas lealdades, não era impossível que um dos apoiadores de Zeke estivesse tentando sabotar o novo sistema.
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**Um Passo Adiante**
Isadora reuniu o conselho novamente naquela noite. "Se é alguém daqui, precisamos descobrir quem é sem criar pânico," ela disse.
"Concordo," Elias respondeu. "Mas como fazemos isso sem que pareça que estamos espionando todo mundo?"
"Precisamos observar," Isadora sugeriu. "Criar patrulhas que não sejam apenas para proteger o acampamento, mas também para entender o que está acontecendo. E precisamos conversar com as pessoas, ouvir seus medos e frustrações."
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**Primeiras Suspeitas**
Enquanto as patrulhas começavam a circular pelo acampamento, Naomi começou a perceber algo estranho. Um pequeno grupo de pessoas, que costumava ficar próximo a Zeke, parecia evitar a clareira principal e cochichava constantemente entre si.
"Você acha que são eles?" ela perguntou a Isadora, enquanto observavam de longe.
"Não podemos acusar sem provas," Isadora respondeu. "Mas é um ponto de partida."
Dante se aproximou, trazendo notícias. "Felipe lembrou de algo. Ele disse que o invasor tinha um sotaque específico... algo que ele reconheceu como sendo do norte."
Isadora franziu a testa. "Isso reduz as possibilidades. Precisamos agir rápido antes que eles tentem algo pior."
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**O Plano**
O conselho decidiu criar uma armadilha para capturar o responsável. Eles deixariam suprimentos em um local visível, mas pouco protegido, e manteriam vigias escondidos para observar quem se aproximava.
Naquela noite, Isadora ficou acordada, o coração acelerado, esperando pelo desfecho.
O vento noturno soprava frio, trazendo consigo o cheiro da terra úmida da tempestade recente. Isadora observava da sombra de uma cabana, o olhar fixo no depósito onde o conselho havia deixado os suprimentos como isca. Ao seu lado, Dante estava atento, sua postura rígida denunciando o nervosismo.
"Se eles vierem, temos que agir rápido," ele murmurou, segurando firme a lança improvisada que carregava.
"Sem violência, se possível," Isadora respondeu, a voz baixa. "Queremos respostas, não mais sangue."
A noite estava silenciosa, exceto pelo som ocasional de passos distantes. O acampamento parecia adormecido, mas havia vigias ocultos em pontos estratégicos, atentos a qualquer movimento.
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**O Primeiro Movimento**
Por volta da meia-noite, Isadora viu uma sombra se movendo perto do depósito. Era uma figura alta, envolta em um manto escuro, quase invisível na escuridão. Ela tocou o braço de Dante, apontando para a direção.
"Ali," sussurrou.
Dante fez um sinal para os outros vigias, que começaram a se posicionar silenciosamente ao redor do depósito.
A figura se aproximou com cautela, os passos leves como de um gato. Com uma pequena faca em mãos, começou a cortar a lona que protegia os suprimentos. Era evidente que sabia o que fazia; os movimentos eram rápidos e precisos, como se já tivesse feito aquilo antes.
Quando a lona finalmente foi aberta, Isadora deu o sinal. "Agora!"
**A Confrontação**
Os vigias emergiram das sombras, cercando a figura antes que ela pudesse escapar. A pessoa tentou correr, mas Dante foi mais rápido, bloqueando a saída com sua lança.
"Pare aí!" ele ordenou, a voz firme.
A figura hesitou, olhando ao redor. Finalmente, baixou a faca e ergueu as mãos em rendição. Quando os vigias se aproximaram, retiraram o capuz que cobria o rosto, revelando um homem de cerca de 40 anos, o olhar cheio de desdém.
"Conheço você," disse Elias, que havia se juntado ao grupo. "Você era um dos homens de confiança de Zeke."