Bem Melhor Assim

1042 Words
Mais um mês se passou e a feira estava prestes a acontecer. Filippo estava ansioso por ver sua amada. Anita sentia a mesma ansiedade pelo encontro. Na feira, foi difícil Filippo encontrar tempo para ver Anita. Dessa vez, o horário de almoço dos dois não coincidiu. Eles se falaram rapidamente. Anita disse que já havia almoçado. Filippo disse que andaria um pouco e retornaria. Caminhando pela feira, observou as mercadorias vendidas ali. Um anúncio lhe chamou a atenção. Não era mercadoria, mas imigração. — Andiamo, andiamo! Vamos todos para América do Sul! Ele aproximou-se mais do senhor de barba comprida e grisalha, camisa verde musgo desbotada, calça social preta e sapato de couro marrom desgastado. Ouviu o homem falando mais. — Para Argentina e Brasil! "Brasile?", se perguntou Filippo. Era a primeira vez que ele ouvia falar nesse país. "Que lugar é esse? Não conheço". Resolveu ir até o senhor e perguntar sobre Brasil. — Com licença, caro mio. Que lugar é este que anuncias? Brasile? — Sì, Brasile. È un paese della America, prossimo ad Argentina. — Uau! Estupendo! Como faço para conhecê-lo? — Bene. Conhecê-lo e permanecer nele. Tu puoi comprar os bilhetes e agendar tua viagem para o prossimo mese. Che cosa dire? — Próximo mês? — Sim. — E quanto custa? — 5 mil por pessoa. — Cinque mile?! — Era toda a economia de Filippo. Ele sabia que para fazer uma proposta a Anita precisaria de ter o valor da sua passagem somado ao da dela. — Cos'è, ragazzo. — Está bem. Volto depois se eu decidir comprar. Filippo foi até a barraca de Anita e lhe disse sobre a viagem. — Como vamos para lá? Um país desconhecido. — Eu sei, eu sei. Questa è la prima volta que escuto falar desse país. Mas, é algo promissor. Pensa... — Promissor? Entrar num navio e partir assim sem rumo. — Rumo al Brasile. — Nem tu conheces bem essa terra. — Teremos um pedaço de chão para plantar, criar nossas coisas. Que pensas disso? — Veramente não posso te dar resposta. — Está bem. — Filippo ficou cabisbaixo e um tanto chateado com Anita. — Oh, meu anjo. Não fiques assim. — Tenho que ir. Rapidamente, para não serem vistos pelos pais dela, se beijaram. Filippo voltou pensativo para sua barraca. Lá, ele nada falou sobre a viagem que tanto sonhava. Em casa, contou suas economias e viu que tinha mais do que pensava ter. Estava com oito mil. "Bene, já é um bom dinheiro". Escondeu rapidamente seu dinheiro da vista de seu irmão. O guardava num pequeno cofre de madeira na cor preta, embaixo de sua cama e trancado com cadeado. — Fala, piccolo. Que fazes aí? — Na...nada. Apenas pensando na vida. — Pensando na vida? Que hilário. — Puoi darmi la tua opinião sobre uma coisa? — Sim. O quê? — Que achas de tomar um navio e ir para outro continente? — Caro, tu sei engraçado demais! Questo bambino è un scherzo! — Não sou uma piada! Por sorte, ninguém ali acreditava no sonho dele. Assim, não precisava temer por algum impedimento. Só poderia esperar a oportunità para ir até Anita e convencê-la a fugir com ele para o Brasil. O mês passou e se viram mais uma vez na feira. Ela parecia não estar muito bem. Semblante triste, cabisbaixa. — Ei. — Está tudo bem contigo? — Não sei. — Amore mio, por que estás assim? — Não quero falar sobre isso agora. — Assim fico chateado. — Vem. — Anita o pegou pela mão e o puxou depressa, olhando para ver se seus pais não a viam — Vamos conversar um pouco. — O que está acontecendo? — Meus pais... Eles brigaram comigo. — Quê? Por quê? — Há dois dias, um irmão meu tentou me abusar sexualmente. Enquanto eu estava na cama, tentando dormir, ele passou a mão em mim e tentou tirar minha roupa. Eu gritei. Meua pais acordaram. Mas, não acreditaram em mim. Acreditaram nas mentiras do meu irmão, que disse que eu o seduzi. — Que horror! E o que fizeram sobre isso? — Nada. Simplesmente brigaram comigo. Eu nem viria aqui, pois não quiseram mais a minha ajuda. Insisti para vir, pois queria e precisava muito te ver. — Oh, meu amor. — Ela apoiou suas mãos sobre o ombro dele, passando-as por trás do pescoço, se beijaram. — Tenho uma solução. — Quale? — Tenho aqui comigo oito mil. A passagem custa cinco mil por pessoa. O que tens para somar e irmos para o Brasil? — Eu andei pensando no que falaste a mim. Nem sabia quanto custava a passagem. Mas, todas as minhas economias me renderam quinze mil. — Uau! Isso é mais do que o suficiente. — Sim. Também trouxe algumas roupas na bolsa. Meus pais não sabem. — Eu também trouxe roupas na bolsa. Bem, vamos ao vendedor para conseguir nossas passagens. Chegaram ao senhor que vendia as passagens. — Ciao. Caro, quero duas passagens para o Brasil. — Davvero? — Sì. — Rapaz corajoso. Bem, eu tenho somente para amanhã. — Como assim? Tens apenas para vender amanhã? — No, no. Não me entendeste. A viagem é amanhã cedo. As passagens compram hoje. E aproveitem, porque estão acabando. Filippo olhou para Anita. Ela balançou a cabeça positivamente. — Sim. Duas, per favore. Passagens nas mãos, Filippo e Anita foram buscar suas bolsas. Despistados de seus pais, saíram e caminharam juntos pela feira. — Bene, aqui estamos nós. — Isso é uma loucura. — Prometes que não se arrependerás? — Sim, meu príncipe. Eu prometo. Pararam num hotel, de onde pegariam uma condução até o Vêneto, no porto de saída para a América do Sul. O dia seguinte seria de muita emoção para os dois. Precisavam descansar agora. Pouco tempo que se conheciam e já se amavam. Caminharam felizes de mãos dadas. Seus pais nada sabiam deles. "Foi bem melhor assim", pensou Filippo ao ver os lindos olhos de Anita e o belo sorriso dela que o encantava. À noite, entregaram-se pela primeira vez a algo inédito até então. Pela primeira vez tocaram-se, sentindo o calor um do outro. Beijos, carícias, abraços, arranhões, mordidas, gemidos. Assim foi a noite dos dois.
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