Os primeiros imigrantes italianos chegaram ao Brasil em 1870, e de início se instalaram na região sul. A maioria dos imigrantes italianos veio da região do Vêneto, norte da Itália, região, na época, com grandes problemas nas zonas rurais. seguidos por italianos vindos da Campânia, Calábria e Lombardia.
Apenas quatro regiões italianas não contribuíram com praticamente nenhum imigrante para o Brasil: Ligúria, Úmbria, Lazio e Sardegna.
Em meados do século XIX, o governo brasileiro criou as primeiras colônias, fundadas em áreas rurais como a Serra Gaúcha, Garibaldi e Bento Gonçalves (1875). Depois de alguns anos, com o aumento do número de imigrantes italianos no Brasil, o governo criou uma nova colônia italiana em Caxias do Sul.
Foram nestas regiões que os imigrantes italianos iniciaram o cultivo da uva e produção de vinhos.
Os italianos que desembarcaram nessa época no Brasil trouxeram na bagagem muitas tradições culturais que foram incorporadas à cultura brasileira, e que até hoje se fazem presentes.
Algumas palavras do italiano foram “aportuguesadas” e, com o tempo, passaram a fazer parte do vocabulário do brasileiro, como a palavra tchau, proveniente do italiano “ciao”.
As novas técnicas agrícolas que os imigrantes trouxeram foram aplicadas nas lavouras do Brasil.
Se falarmos então da culinária, podemos perceber que a influência italiana foi muito grande e marcante, principalmente, no quesito massas (macarronada, nhoque, canelone, ravióli etc.), molhos e pizzas.
Como o catolicismo no Brasil era forte, a imigração italiana – povo também católico em sua maioria – ajudou a fortalecer ainda mais a religião no país.
Esses fatos mostram apenas um pedaço dessa história tão rica e que acabou aproximando os dois países geograficamente tão distantes, criando laços para todo sempre.
No navio, dias passaram com muita dificuldade e escassez de comida. Filippo e Anita tiveram que enfrentar tais dificuldades até desembarcar no porto de Santos.
Chegada a solo brasileiro. Nada sabiam desse país. Um novo amanhecer na nação sulamericana, bem distante da terra deles.
O navio estava abarrotado de gente. Desceram aos poucos com suas malas nos braços.
Filippo e Anita foram bem econômicos com a bagagem. Muitos chegaram doentes, outros não exatamente doentes.
Até os anos 1900, mulheres no período menstrual eram consideradas enfermas. Então, eram privadas de atividades físicas e até mesmo de viajar.
Para embarcar, Anita teve que mostrar a uma senhora agente de viagem que não estava no período menstrual.
Somente assim pôde embarcar. No navio, durante a viagem, sua menstruação não desceu.
Na bolsa, ela carregava uma cinta descartável (o absorvente da época que foi desenvolvido em 1854 nos Estados Unidos).
Chegaram ao Brasil. Pisaram em Santos. De lá, passariam pela imigração, onde receberiam a proposta de trabalho em São Paulo.
Estava começando uma nova vida para os dois em solo brasileiro.
Final do século 19. Em franco desenvolvimento, o setor cafeeiro impulsiona o Estado de São Paulo e a cidade paulista, então a 11ª maior do Brasil, explode. Separada apenas pela Serra do Mar, Santos, com forte tendência abolicionista, acompanha esse crescimento e torna-se a principal porta de entrada de imigrantes no País. Entre dois e três milhões de pessoas, segundo o Museu da Imigração do Estado de São Paulo, entraram pelo cais santista, atraídas por novas chances de trabalho, fugindo de crises econômicas ou de políticas religiosas.
A grande imigração de italianos começou em 1836, quando vinham atrás das plantações de café. O processo se intensificou no final do século 19 e o Museu da Imigração de São Paulo estima que, de 1887 a 1908, um milhão de pessoas, em grande parte italianos, entraram no Brasil.
Em Santos, a herança da influência italiana é vista em vários locais. A casa acastelada no Outeiro de Santa Catarina, erguida pelo médico italiano João Éboli, o Banco Italiano de Santos, exemplo da arquitetura veneziana na Rua XV de Novembro, e o prédio Itália, na Avenida Ana Costa, onde fica a Sociedade Italiana de Santos, fundada em 1887.
A prática da bocha, muito comum na Cidade, é originária da Itália, e nosso tamboréu é uma variação do tamborello italiano. Na culinária, a marca é o gosto pelas massas, risotos e pizzas. ‘’A Baixada Santista é o berço de tudo isso. Temos uma influência muito forte da comunidade’’, destaca Rodolfo Nicastro, vice-presidente da Sociedade Italiana de Santos.
Embora a Hospedaria de imigrantes de Santos tenha sido idealizada para receber os imigrantes estrangeiros que chegavam ao Porto de Santos, o prédio nunca foi utilizado com essa finalidade. Na época de sua construção o fluxo migratório diminuíra, sendo os imigrantes diretamente conduzidos à seção competente, em São Paulo, para quarentena. Desde então, o prédio teve diferentes finalidades, como depósito de milho, café e banana e também já abrigou empresas de conserto de navios. Ele foi tombado em 1998 como patrimônio histórico e, desde que ficou desocupado, se tornou símbolo de abandono.
São Paulo recebeu imigrantes de diversas regiões da Itália. Nos registros paroquiais de São Carlos, cidade produtora de café no interior de São Paulo, para o período compreendido entre 1880 e 1914, foi-se registrado que, dentre os italianos que ali se casaram, 29% dos homens e 31% das mulheres eram oriundos do Norte da Itália, sendo o Vêneto a região mais bem representada, com 20% dos homens e 22% das mulheres, seguido da Lombardia com 5% dos homens e 6% das mulheres. Os italianos do Sul também eram bastante numerosos, correspondendo a 20% dos homens e 15% das mulheres de nacionalidade italiana. Calábria, com 7% dos homens e 5% das mulheres e Campânia, com 6% dos homens e 5% das mulheres eram as regiões sulistas que mais mandaram imigrantes para São Carlos.
Em São Paulo, assim como no resto do Brasil, havia a tendência dos imigrantes do Norte da Itália rumarem para a zona rural, enquanto os do Sul preferiam se dedicar às ocupações urbanas. Isso explica o fato de, na cidade de São Paulo, os meridionais terem dominado bairros inteiros, como foi o caso do Bixiga, do Brás e da Mooca, habitados especialmente por imigrantes oriundos da Calábria e de Campânia.
Depois de passarem pela imigração em Santos, Filippo e Anita se instalaram no Brás, onde decidiram começar uma vida de trabalho no comércio, assim como faziam na Itália.