Nos anos 1900, a Itália ainda não era uma república, mas um reino. O Reino da Itália durou entre os anos de 1861 a 1946. O Estado foi fundado como resultado da unificação italiana, sob a influência do Reino da Sardenha, que era seu Estado antecessor legal. Em 1869 ocorre a compra da cidade costeira de Assab, dando origem à primeira colônia do Império Colonial Italiano. O reino existiu até meados de 1946, quando os italianos optaram por uma constituição republicana, mediante plebiscito.
Em 1900, o rei Humberto I foi morto em um atentado pelo anarquista Gaetano Bresci. Assumiu o trono Vítor Emanuel III.
Membro da Casa de Saboia, Vítor Emanuel III ascendeu ao trono italiano após o assassinato de seu pai. Numa primeira fase, desempenhou unicamente funções constitucionais, mas, durante a crise que se seguiu à Primeira Guerra Mundial, teve um importante papel nas decisões políticas.
Poucos anos antes de 1900, o Reino da Itália estava atuante em algumas batalhas importantes que mudaram o cenário político em outras partes do mundo. Uma dessas batalhas foi a Batalha de Aduá.
A partir de 1870, a Abissínia passa a ser cobiçada pela Itália, que então procurava juntar-se às demais potências europeias na corrida desenfreada pela repartição da África.
No final do século XIX, todo continente africano estava sob o domínio europeu, com exceção da Etiópia e da Libéria. A Libéria havia se tornado independente em 1847 e na Etiópia, a independência foi garantida depois da Conferência de Berlim, com a vitória do exército do imperador Menelik II sobre tropas italianas na batalha de Aduá.
Após a Conferência de Berlim, em 26 de fevereiro de 1885, ingleses, franceses, alemães, belgas, italianos, espanhóis e portugueses já haviam conquistado e repartido entre si 90% da África.
Em 1895, a Etiópia foi invadida pela Itália, que pretendia anexar o país ao seu protetorado. Em 1896, os italianos subjugaram a parte oriental da região, estabelecendo a Colônia da Eritreia. No entanto, neste mesmo ano, em 1896, o exército etíope, sob a liderança de Menelique II da Abissínia, um dos grandes estadistas de história africana, que acompanhado da sua esposa, a imperatriz Taitu Bitul, derrotaram os italianos, na famosa batalha de Aduá.
Houve vitória etíope sobre os italianos que tomaram parte do corno da África. Com isso, a Eritreia foi criada. Os etíopes também foram vitoriosos na primeira guerra ítalo-etíope.
A Primeira Guerra Ítalo-Etíope corresponde à invasão italiana da Etiópia ocorrida entre os anos 1895 e 1896.
A Itália era um reino agrário e pobre. Pelo menos 25 milhões de italianos começavam a migrar para outros países, inclusive o Brasil. Para não ficar para trás, a Itália se envolveu na última moda entre as potências europeias: a criação de colônias na África. Eram os tempos da "corrida pela África", na qual os países da Europa Ocidental dominaram absolutamente todo o continente, entre 1880 e 1900.
Em meio à corrida, só mantiveram sua independência Etiópia e Libéria. Em 1893 declarou que o tratado feito com os italianos não tinha validade. Os italianos responderam movendo tropas para a fronteira e invadindo a Etiópia. Em 13 de janeiro de 1895, puseram para correr uma tropa de Mengesha Yohannes, o "filho" do imperador anterior, ainda que estivessem em menor número. Foi a única vitória europeia. Ao longo do ano, os italianos recuaram para posições defensivas. Em dezembro, estavam perto de Aduá. Por semanas, esperaram que os etíopes atacassem, mas Menelik era experiente e aguardou - tanto que estava prestes a levantar acampamento, porque os suprimentos estavam acabando e o moral da tropa, baixo. O general italiano, Oreste Baratieri, veterano das guerras de unificação da Itália, também manteve posição. Mas o governo italiano achou a situação vergonhosa. No final de fevereiro, Baratieri recebeu ordem para atacar.
Assim, na noite de 1 de março de 1896, dezoito mil italianos abandonaram as fortificações e passaram pelas colinas de Aduá, mas seus mapas eram precários e as forças acabaram isoladas. Esperavam encontrar trinta mil etíopes, mas havia mais de cem mil, oitenta por cento com armas modernas. Foi um m******e. Horas depois, sete mil deles estariam mortos, mil e quinhentos feridos e três mil capturados.
Os generais de Menelik insistiram para que rumassem para a Eritreia, mas o Negusa Nagast sabia que os italianos teriam recursos para reagir se provocados. As notícias da derrota causaram comoção na Itália, com protestos e a renúncia do primeiro-ministro Francesco Crispi. Baratieri enfrentou a corte marcial, mas foi inocentado. Em 23 de outubro, o Tratado de Adis Abeba deu fim à guerra e reconheceu a soberania etíope.
A Itália já estava sofrendo com as mudanças da unificação italiana e a grande pobreza. Um país de camponeses, sem muito o que oferecer para seus habitantes. Isso forçou o fluxo para fora do país.
Com a unificação italiana em 1871, a emigração tornou-se um fenômeno social na Itália. Entre 1871 e 1875, mais de cento e vinte e cinco mil italianos emigraram. No início da década de 1880 a saída de italianos já alcançava cifras notáveis. Os fatores dessa saída foram vários, sendo principalmente por motivos sócio-econômicos, seguido de razões políticas e pessoais. Nos primeiros anos, 80% dos emigrantes partiam do Norte da Itália. O fenômeno emigratório só chegou ao Sul da Itália no início do século XX, quando os sulistas passaram a dominar a fonte de saídas.
A emigração trans-oceânica passou a predominar neste momento, tendo os italianos três destinos principais: os Estados Unidos, a Argentina e o Brasil e, em menor medida Uruguai, Chile e Venezuela. O Brasil absorveu a maior parte dos imigrantes italianos nos primeiros anos, sendo superado pela Argentina nos últimos anos do século XIX e os EUA tornaram-se o maior receptor de italianos no início do século XX.
O governo italiano nada fazia pelos emigrantes, que partiam à própria sorte e muitas vezes caíam em propagandas enganosas de emprego fácil para onde emigravam. A emigração só foi regulamentada em 1888, quando o governo passou a dar apoio àqueles que quisessem emigrar, porém, não lhes prestava nenhuma assistência se algo desse errado. No Brasil, por exemplo, milhares de italianos foram explorados nas fazendas de café, fato que só foi assistido em 1902, quando o governo italiano proibiu a imigração subsidiada para o Brasil.