Alex Walker
— E então? Vamos sair pra beber hoje já que amanhã estamos finalmente de folga. Topa? — Brian Lewis, um dos melhores Snipes que já tive o prazer de trabalhar me puxa de volta a realidade.
— Não sei, talvez ... Se eu decidir te ligo. — Respondo de maneira vaga, porém recebo um olhar preocupado como resposta.
— Alex, sei que aqui dentro sou seu subordinado, mas quero que nunca se esqueça que também sou seu amigo, tenho percebido você um pouco distante nesses últimos dias, na verdade não só eu.
— Eu sei, mas não se preocupe, estou bem, isso não vai afetar meu trabalho. — E na verdade nem pode, já que vidas dependem de mim.
— Entenda que não estou questionando seu trabalho como capitão da SWAT, mas sim sua conduta como amigo, você tem estado distante.
Olho para Brian pensativo, no fundo ele tem razão, não posso continuar me perdendo em pensamentos pelo que aconteceu a muito tempo, mas é algo que as vezes não consigo controlar, principalmente nessa época.
— Tô indo nessa, me liga se decidir conversar e vê se aparece mais tarde.
— Prometo tentar.
Brian fecha a porta do armário e sai do vestiário me deixando sozinho, decido me trocar e ir para a academia, já tem uns dias que não consigo ir pela falta de tempo, creio que dar uns bons chutes vai me ajudar a colocar a cabeça no lugar.
Sigo pelo caminho até o estacionamento cumprimentando meu colegas que estão chegando para seu turno, ao chegar no meu carro vejo Sanches, a única mulher da equipe se preparando para sair em sua Honda CB 1000R vermelha recém comprada, antes que ela coloque o capacete, ela me avista e acena com a cabeça, retribuo o gesto e entro no meu carro dando partida para ir em direção a academia.
—Quem é vivo sempre aparece! — Provoca meu professor de MMA, ao me ver acabando com um saco de boxer depois de uma hora de chutes, socos e todo suor do meu corpo encharca minha camiseta.
— Estava com saudades amorzinho?! — Retribuo a provocação ganhando um tapa na nuca logo depois.
— Sei que tem estado ocupado com seu trabalho, mas sei também que não é só por isso que tem andado sumido Alex.
Brice me conhece melhor que qualquer um, somos amigos desde a barriga de nossas mães que eram vizinhas, crescemos juntos e até temos a mesma idade, sempre que preciso desabafar ou de ajuda, ele é o primeiro pra quem peço socorro.
Tiro minhas luvas e sento no banco bebendo água, Brice me observa em silêncio, o que não dura por muito tempo.
— Vamos lá cara, todo ano tem sido assim, você se fecha, some por uns dias e depois volta desse jeito.— Arqueio umas das minhas sobrancelhas e olho pra ele esperando terminar sua bronca. — com essa cara de cachorro que se perdeu na mudança, a diferença dessa vez é que você ainda não me ligou na alta madrugada caindo de bêbado.
— Não se preocupe, é provável que isso aconteça hoje, então, esteja pronto pra mim amorzinho. — Falo com um sorriso sacana, mas na realidade é o que acontecerá realmente se eu for sair com os caras para beber.
— Alex, ninguém culpa você pelo que aconteceu, ninguém nunca culpou, além de você mesmo.
Abaixo a cabeça e solto um suspiro pesado, e voltando a olha-lo nos olhos faço a pergunta que sempre procuro resposta.
— Se não foi culpa minha, então por que eu me sinto responsável? Por que sempre que lembro de como tudo aconteceu, penso que eu poderia ter feito diferente e ele estaria aqui?
— Você fez o que foi treinado para fazer, tem certeza que mesmo que tivesse feito algo diferente, ele teria sobrevivido?
— Não. — minha resposta sai mais como um sussurro.
Me levanto e vou para a ducha seguido por Brice, seguimos conversando sobre a última luta que assistimos na tv enquanto tomamos banho, o vestiário da academia é bem amplo, além da área com os armários, há uma área com os chuveiros ao fundo, aproveitando os armários para dar uma certa privacidade e na lateral esquerda um segundo ambiente com as cabines das privadas, mictório e lavabo.
— Tá a fim de sair mais tarde o pessoal da unidade vai para o Mackfly Pub mais tarde, tá a fim de ir? — O convido enquanto termino de arrumar minhas coisas na mochila.
— Até que não é má ideia, assim me poupa o trabalho de sair de casa de madrugada pra te buscar.
— Nos vemos mais tarde então amorzinho. — Me despeço com seu apelido ganho após uma situação constrangedora em que um travesti bêbado o agarrou num bar o chamando de “amorzinho”.
— Já te falei pra parar de me chamar assim!
Mando um beijo pra ele enquanto saio pela porta.
(...)
Dou uma última olhada no espelho, minha cara de cansaço denúncia o quão estressante e corrida foi essa semana, pego meu celular, chaves e carteira e saio do apartamento em direção ao elevador. Aperto o botão e não demora muito para que as portas se abram revelando em seu interior minha vizinha do andar de cima, Katie, com um sorriso safado ela me cumprimenta.
— Oi vizinho, a quanto tempo?! Você nunca mais me procurou.— Sua voz soa em um choramingo manhoso.
— Tenho trabalhado bastante.
— Vai para algum lugar interessante? — Fala com expectativa de ser convidada.
— Um compromisso com o pessoal do trabalho. — Falo dando graças a Deus por ter chegado no térreo onde ela descerá.
As portas se abrem e antes que ela possa dizer mais alguma coisa a dispenso de forma sutil, ou não.
— Até mais Katie, nos vemos qualquer dia.
Em resposta ganho um olhar descontente, Katie apenas balança a cabeça em confirmação e sai frustrada por sua tentativa de sedução fracassada. Katie até que não é má pessoa, porém não é o tipo de mulher com quem eu me envolveria para ter algo sério, ficamos algumas vezes, mas quando percebi que ela estava se apegando demais, me afastei por completo, porém ainda por um tempo ela me procurava questionando meu afastamento, até que um dia deixei claro que não tinha nenhum interesse em um relacionamento sério com ela.
Sigo dirigindo pelas ruas, agora mais tranquilas pelo horário, em direção ao Pub, o Mackfly é um Pub frequentado em sua grande maioria por policiais, bombeiros e oficias da SWAT e FBI, quando estão na cidade, não demora muito para que eu chegue e estacione em frente ao Pub, assim que entro vejo Brian chamando minha atenção acenando com o braço, sigo até a mesa onde estão todos e me sento ao lado de Kevin Parker, especialista em artefatos explosivos e segundo na cadeia de comando da unidade, sendo assim o 30-David, código que revela sua posição na hierarquia dentro da equipe que varia entre 20-David a 70-David.
Começamos a conversa assuntos aleatórios, pouco tempo depois Brice chega se juntando a nós. A noite até que foi bem agradável, Brice não bebeu muito e eu dessa vez fiz o mesmo, até porque estou dirigindo e não estava a fim de ter que deixar meu carro aqui para ter que vir buscar amanhã.
Lá pelas duas e meia da manhã resolvi ir embora e Brice decidiu ir também, combinamos de irmos a uma luta no dia seguinte, porém quando fui até o caixa pagar minha conta tive uma surpresa desagradável.
— Desculpe senhor mas seu cartão está bloqueado. — Diz a moça do caixa de um jeito sem graça.
Pego o cartão de volta e pago com transferência por Pix, agradeço e sigo para meu carro desanimado por ter que ir ao banco no dia da minha folga.
Assim que chego em casa, tomo um banho quente para relaxar e logo sinto o sono chegar, coloco uma cueca Boxer e deito, já pegando no sono.
Acordo com o telefone tocando insistentemente e ainda zonzo de sono o pego na mesinha ao lado da cama e atendo sem mesmo ver quem é.
— Alô? — Minha voz rouca denuncia que fui acordado pela ligação.
— Bom dia Senhor Walker, meu nome é Suzan, estou ligando do Soulbank Central, a respeito de seu cartão que se encontra bloqueado, nosso sistema detectou uma tentativa de fraude...— Me sento na cama e prestando mais atenção a mulher que fala sem parar no meu ouvido.— .... o senhor poderia vir até nossa agência para confirmar alguns dados e recadastrar sua biometria?
— Hã, sim passarei aí ainda hoje.
— Ok senhor, procure pela gerência, estaremos a espera para resolver tudo da forma mais rápida possível, tenha um bom dia.
— Obrigado, bom dia.
Desligo a ligação e constato que já são dez e meia da manhã, á tempos não dormia até essa hora.
Me levanto e vou tomar um banho e fazer minha higiene matinal, após sair do banheiro com uma toalha enrolada na cintura sigo até meu closet e visto uma calça jeans escura e uma camiseta básica azul escura, calço um sapatênis na cor preta e vou até a cozinha fazer um café, enquanto a cafeteira prepara a minha primeira dose de cafeína do dia, checo alguns e-mails e dou uma olhada em meu i********:, como sempre há algumas solicitações de amizade já que por conta da minha profissão, mantenho todas a minhas redes sociais no modo privado.
Após tomar meu café, escovo meus dentes e pego minhas coisas para ir até o banco resolver logo a questão do cartão bloqueado.
Já dentro do banco me encaminho para a gerência que por sorte está disponível para atendimento imediato.
— Bom dia, sou Alex Walker, recebi uma ligação esta manhã sobre meu cartão bloqueado.
O gerente a minha frente, um homem de aproximadamente cinquenta anos e cabelos grisalhos me olha de maneira amigável e verifica seu sistema.
— Bom dia senhor Walker, sente-se, já estou verificando suas informações.
Me sento na cadeira a sua frente e após alguns instantes ele volta sua atenção totalmente para mim, explicando que foram detectadas pelo sistema algumas tentativas de compras em sites suspeito, e por isso o sistema antifraude do banco bloqueou o cartão automaticamente, além de começar uma varredura para achar esse possível hacker.
Após aproximadamente uns vinte minutos de atendimento meus dados foram atualizadas e um novo cartão solicitado, por segurança achei melhor pegá-lo pessoalmente aqui mesmo na agência daqui a alguns dias.
Quando me levanto para sair, percebo uma pequena agitação próximo aos caixas de atendimento, me aproximo um pouco tentando descobrir o que está acontecendo e logo vejo uma senhora idosa sendo amparada por uma das funcionárias do banco, fico mais alguns segundos observando e logo uma enfermeira que estava no banco ajuda a socorrer a senhora, porém minha atenção é totalmente tomada pela funcionária do banco, uma mulher linda, morena, de olhos castanhos, lábios bem desenhados e um corpo escultural, estranhamente meu coração dispara quando nossos olhos se encontram, ela me lança um sorriso simpático me dando a impressão de que não fui o único sentiu aquela adrenalina, após alguns segundos ela volta sua atenção para senhora que está sendo atendida, logo a seguir uma ambulância para em frente ao banco, e os paramédicos tem sua entrada liberada pelos seguranças, em questão de poucos minutos a senhora é levada para a ambulância, mas quando volto meus olhos em busca da bela que trocou olhares comigo não a vejo mais. Resolvo então ir embora, porém, levo comigo uma sensação estranha de que em breve terei a oportunidade de tê-la próxima a mim.
O restante do meu dia até que foi tranquilo, almocei com meus pais e encontrei com minha irmã e sobrinhos, tenho dois na verdade, Molly de seis anos e Thomas de dez, Lucy, minha irmã como sempre me cobrou seus sobrinhos que ela sempre diz que seu continuar dessa forma jamais os darei.
Após o almoço voltei pra casa e dormir praticamente o restante da tarde toda, acordei assustado com o sonho que tive com a bela do banco, nele ela me pedia ajuda, pois estava se afogando em um lago, e por mais que eu nadasse tentando alcança-la, ela afundava cada vez mais.
(...)
Minha folga passou voando, como sempre, e hoje como toda segunda feira que se prese está bem agitada, estou entrando no centro de comando quando Sánchez vem correndo avisar que temos uma situação com refém em um banco, rapidamente toda a equipe de cinco integrantes no total vai para sala de armas se preparando com nossos coletes, toucas ninja, capacete com óculos de visão noturna acoplado, pentes de recarga e nossas respectivas armas, Sánchez, que desempenha a função de navegadora e hacker nos informa a situação enquanto nos acomodamos no blindado preto da SWAT.
— Três bandidos entraram no Soulbank Central como clientes logo que o banco abriu e após alguns minutos anunciaram o assalto, ao todo há cerca de trinta pessoas sendo mantidas como reféns, inclusive funcionários do banco.
Assim que Sanchez fala o nome do banco a bela me vem na cabeça e junto o pesadelo que tive no dia que a vi, será que aquele pesadelo era um aviso sobre o que está acontecendo agora?
Chegamos rapidamente e quando descemos cada um toma sua posição, Brian espera o plano de saída dos bandidos para se posicionar de acordo. Vou até o policial que está em contato com os bandidos e ele rapidamente me passa a situação, enquanto ele fala olha em direção ao banco e vejo na parede de vidro ao lado da porta giratória a bela, a mesma com quem tive o pesadelo dias atrás, nossos olhos se encontram e é o mesmo olhar suplicante do pesadelo, leio o papel que ela segura e lhe oferto um olhar confiante, assim que o bandido a puxa pelos cabelos para dentro da agência Sanchez chega o telefone dando seu último toque antes que o miserável atenda.
— O negócio é o seguinte, vocês vão trazer um carro blindado e com tanque cheio até a entrada de funcionários, como ato de boa fé vou deixar a mulher grávida sair, mas só ela, se tentar alguma gracinha, começo a matar um refém a cada cinco minutos, se apresse, você só tem vinte minutos. — Fala assim que atende e desliga sem me dar chance alguma para uma medicação.
— Se é assim que você quer jogar, então tá bom! Sanchez solicita um furgão de resgate, e preciso de um sistema de rastreio nele, quero aqui em quinze minutos.
Sem perder tempo Sanchez começa a obedecer minha ordem.
— Brian, preciso que você se posicione naquele prédio na lateral do banco, de frente para a porta de acesso dos funcionários, esteja pronto pra atirar a qualquer momento.
Ele pega sua bolsa com armas e equipamentos e vai correndo em direção ao prédio.
— Kevin, preciso de você e da Sanchez posicionados bem aqui, assim que os bandidos entrarem no furgão quero que mire com os infravermelhos no peito deles. — Falo mostrando no mapa o local exato onde o furgão e eles ficaram posicionados.
— Jones, prepare as cordas de rapel de maneira discreta bem acima da porta por o de irão sair, vamos descer bem em cima deles, já que é a SWAT que eles querem, é a SWAT que eles vão ter.
Em exatos quinze minutos tudo está a preparado, ligo novamente para a mesa do gerente e logo o desgraçado atende, dessa vez passei as instruções, e ele muito confiante do controle da situação aceitou liberar os reféns, já devidamente posicionado na corda de rapel, guardo o celular no bolso da calça e me preparo para o momento certo, assim que os bandidos entram no furgão, Kevin e Sanchez fazem sua parte do plano sem se revela para o outro bandido com a refém, ao observar sua movimentação na entrada dou o sinal para Jones e deslizo pela corda de maneira ágil, segurando a corda somente com um braço e usando o outro para trazer o corpo da refém para junto de mim, ao mesmo tempo que uso uma das minhas pernas para golpear o bandido, de maneira sincronizada, Jones desce apontando sua arma rendendo o bandido.
Vejo o corpo da bela se render ao nervosismo e a pego no colo sentindo seu perfume doce de Jasmim, olho para ela que está pálida e com os olhos fechados, mesmo a contragosto a coloco na maca, pois minha verdadeira vontade é tê-la por mais tempo em meus braços, logo em seguida a ambulância sai a levando para o hospital, e eu, reúno minha equipe e sigo para minha parte preferida, o interrogatório.