Capítulo 1: O Passado e a Separação

1208 Words
A noite envolvia a cabana como um manto de mistério e desejo. O vento soprava leve entre as árvores, trazendo consigo o cheiro de terra molhada e lenha queimando na lareira. Ali, naquele esconderijo secreto, Beatriz Albuquerque e Eduardo Montenegro viviam momentos que pareciam roubados do tempo, longe dos olhos do mundo que jamais aceitaria o amor deles. Beatriz, com seus cabelos negros caindo em ondas sobre os ombros, olhava para Eduardo como se ele fosse a única coisa que importava. E era. Desde o momento em que o conheceu, soube que estava perdida. Ele era proibido. Filho do advogado mais influente do país, criado entre festas luxuosas e jantares elegantes, destinado a se casar com alguém de sua classe. Ela, uma jovem órfã, que cresceu lutando por cada oportunidade, sem sobrenome poderoso, sem fortuna. Mas, ali, entre aquelas paredes de madeira, nada disso importava. Eduardo segurava sua mão com firmeza. Seus olhos, sempre frios e calculistas diante dos outros, agora transbordavam algo que ele não sabia nomear. Amor? Desejo? Possessão? Talvez tudo isso. — Fica comigo para sempre. — A voz dele era rouca, carregada de emoção contida. Beatriz sorriu, sentindo o coração acelerar. — Você sabe que eu nunca quis outra coisa. Ele puxou do bolso uma pequena caixinha de veludo. Mas, em vez de um anel, tirou duas pulseiras de prata, simples, mas cheias de significado. — Quero que use isso como prova do que temos. Não importa o que aconteça, essa pulseira será o nosso pacto. Um voto de amor eterno. Beatriz sentiu os olhos arderem com as lágrimas que ameaçavam cair. Pegou uma das pulseiras e deslizou no pulso dele. — Se um dia estivermos longe, se o mundo tentar nos separar, olhe para isso e lembre-se... Você é meu. E eu sou sua. Para sempre. Eduardo segurou seu rosto com as mãos grandes, traçando com os polegares o contorno de seus lábios. — E se eu perder você? Se tentarem arrancar você de mim? Beatriz aproximou os lábios dos dele, roçando de leve antes de sussurrar: — Então me encontre. Sempre. Ele não resistiu mais. Beijou-a com toda a intensidade que havia dentro dele, como se precisasse gravar aquele momento na pele, no sangue, na alma. E naquela noite, sob a luz da lareira e entre promessas sussurradas, Eduardo e Beatriz selaram um amor que nem mesmo o destino seria capaz de apagar. O beijo entre Beatriz e Eduardo se aprofundava, carregado de um desejo intenso e promessas silenciosas. O calor das chamas da lareira se misturava à eletricidade que percorria seus corpos, tornando impossível distinguir onde um terminava e o outro começava. Eduardo a puxou para mais perto, os dedos deslizando pela pele macia da nuca dela, como se quisesse gravar aquela sensação em sua memória. Beatriz ofegou ao sentir o toque dele, a respiração quente contra sua pele, o jeito como seu corpo parecia encaixar-se no dele como se tivessem sido moldados um para o outro. — Você é minha, Beatriz. Só minha. — Eduardo murmurou contra seus lábios, a voz carregada de posse e emoção. Ela sorriu, os olhos brilhando sob a luz suave da lareira. — E você é meu, Eduardo. Para sempre. Ele segurou sua mão e guiou-a até a cama rústica no canto da cabana. O colchão afundou sob o peso dos dois, e Beatriz sentiu o coração disparar quando Eduardo traçou um caminho de beijos pelo seu pescoço, descendo lentamente, explorando cada centímetro de pele como se estivesse decorando-a com toques ardentes. A pulseira em seu pulso refletiu a luz do fogo, e Beatriz a segurou com força, sentindo um misto de felicidade e medo. Felicidade por estar ali, amando e sendo amada por Eduardo. Medo do futuro, das sombras que espreitavam além daquelas paredes de madeira, da família dele, do mundo que tentaria separá-los. Mas, por agora, ela se permitiu esquecer. Se entregou ao homem que fazia seu coração bater mais forte, que a olhava como se ela fosse a única mulher no mundo. Os lençóis foram testemunhas daquela entrega. Entre suspiros e gemidos abafados, Beatriz e Eduardo selaram seu pacto de amor com o toque dos corpos, entrelaçados, unidos de uma forma que nada poderia apagar. Horas depois, ainda envoltos no calor um do outro, Eduardo desenhava círculos preguiçosos no braço de Beatriz, observando-a com um meio sorriso satisfeito. — Vamos casar. Beatriz piscou, surpresa. — Casar? — Sim. Assim que eu terminar meu estágio no escritório do meu pai, nós nos casamos. Vamos morar longe daqui, construir nossa vida juntos. Você aceita? Os olhos de Beatriz se encheram de lágrimas. Ela sabia que a família de Eduardo jamais aceitaria, que o mundo deles era feito de regras e tradições rígidas. Mas naquele momento, nada importava além do amor que sentia por ele. Ela deslizou os dedos pelo rosto dele e assentiu, um sorriso se formando em seus lábios. — Sim, eu aceito. Eduardo puxou-a para um beijo profundo, selando a promessa. Lá fora, o vento soprava forte, como se o destino estivesse esperando para lançar sua primeira investida. Mas naquela noite, na cabana escondida entre as árvores, Beatriz e Eduardo acreditavam que nada poderia separá-los. Eles estavam errados. O silêncio da madrugada envolvia a cabana como um manto protetor, enquanto Beatriz e Eduardo permaneciam abraçados, os corpos ainda aquecidos pela entrega apaixonada. A lareira iluminava suavemente seus rostos, projetando sombras que dançavam nas paredes de madeira. Beatriz deslizou os dedos pelo peito nu de Eduardo, sentindo o ritmo desacelerado de seu coração. Seu toque era delicado, quase como se quisesse memorizar cada detalhe dele. — Ainda não acredito que você me pediu em casamento. — murmurou, sua voz suave e carregada de emoção. Eduardo sorriu, afastando uma mecha de cabelo do rosto dela. — Por quê? Você não acha que eu falo sério? Ela riu baixinho, apertando mais a pulseira em seu pulso. — Não é isso. Só... seu mundo e o meu são tão diferentes. Sua família jamais aprovaria. Eduardo se apoiou no cotovelo, a expressão se tornando intensa. — Não me importo com o que eles pensam. Só me importo com você, Beatriz. Você é minha vida. Os olhos dela brilharam com lágrimas não derramadas. Queria acreditar que aquilo bastaria, que o amor deles seria suficiente para enfrentar qualquer obstáculo. Ele pegou a mão dela e colocou sobre seu peito, bem onde o coração batia firme. — Você sente isso? Cada batida é sua. Você é dona de cada uma delas. Beatriz fechou os olhos por um instante, deixando-se embalar por aquela promessa silenciosa. — Eu amo você, Eduardo. — E eu amo você, Beatriz. Os lábios dele capturaram os dela em um beijo intenso, selando mais uma vez o pacto entre eles. O tempo parecia suspenso dentro da cabana, onde só existiam os dois. Mas o destino, impiedoso e c***l, já traçava os primeiros passos para separá-los. Lá fora, escondido entre as árvores, um par de olhos frios observava a cabana. O homem segurava o telefone com força, o coração acelerado pela raiva. — Você nunca será um Montenegro, Beatriz. — Gustavo Montenegro, o pai de Eduardo, murmurou antes de discar um número. A voz do outro lado atendeu de imediato. — Faça com que ela desapareça. Para sempre.
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