ANTONELLA NO HOSPITAL
Antonella entrou no hospital como quem se dispõe a conquistar um território hostil, cada passo firme ressoando no piso branco e frio, seus saltos agulha ecoando de maneira quase hipnótica.
O olhar erguido e o leve sorriso venenoso nos lábios a transformavam na personificação da confiança audaciosa.
Caminhou até a recepção, movendo-se com uma elegância estudada que parecia ensaiada para a ocasião.
A bolsa de design exclusivo foi apoiada na mesa da recepcionista com a precisão de uma artista apresentando sua obra-prima.
— Boa tarde. — disse, com uma voz doce e melódica, a infusão de inocência capaz de enganar qualquer pessoa desatenta. — Sou a secretária do Sr. Anthony Vitale.
Ele pediu que eu subisse para ver a acompanhante dele. O nome é Hope.
A recepcionista, que parecia cansada de um longo turno, revisou rapidamente o sistema, sem levantar os olhos.
— Ela está no quarto 408, senhora. Pode subir.
Com um sorriso satisfeito, como se tivesse recebido a autorização para entrar em um espaço secreto, Antonella se dirigiu ao quarto, sua mente dando voltas sobre a cena que estava prestes a se desenrolar, contornando as diretrizes morais como se fossem meras sugestões.
— Muito obrigada, querida. — ela disse, com um tom que misturava cortesia e desdém, já imaginando como o encontro se desenrolaria.
Quando chegou ao quarto, Antonella abriu a porta devagar, como se coubesse a ela decidir o momento exato de revelar sua presença.
Hope estava deitada, pálida como uma pétala de flor, o soro preso ao braço evidenciando sua fragilidade.
Seus olhos estavam semicerrados, lutando contra a sonolência, enquanto a luz do corredor lançava sombras sutis sobre seu rosto. Antonella entrou como uma sombra invasiva, determinada e sem escrúpulos.
Os olhos de Hope se abriram lentamente, uma mistura de confusão e medo filtrando-se pelo seu olhar.
— Quem… é a senhora? — perguntou Hope, sua voz m*l rompendo o silêncio pesado do quarto.
Antonella caminhou até a cama com um sorriso avaliador, como uma juíza prestes a proferir um veredicto.
— Você é tão jovem… tão menina. — ela disse, sua voz preenchida com um tom de condescendência que transparecia em cada palavra.
Hope ajeitou-se, sentindo um desconforto crescente, como se suas fraquezas se tornassem visíveis sob o olhar penetrante de Antonella.
— A senhora me conhece? — questionou Hope, o coração acelerado ao reconhecer um eco do passado.
— Você não lembra de mim? — Antonella ergueu uma sobrancelha com falsa surpresa, o jogo de poder claramente se desenrolando entre elas. — Nos vimos no escritório do Anthony.
Hope piscou algumas vezes, o reconhecimento começando a se formar em sua mente aturdida.
— Ah… sim. A senhora é a secretária dele. — Sua voz tremia, e havia um traço de dúvida que não passava despercebido por Antonella.
Antonella inclinou o rosto, um sorriso satisfeito aflorando em seus lábios, como uma serpente prestes a cerrar o veneno na presa.
O que teria sido um simples encontro se configurava como um duelo silencioso, onde não apenas o amor estava em jogo, mas também a própria essência de cada uma delas.
— Secretária… e namorada dele. Quando ele assinou aquele contratinho com você, quem ainda ocupava a cama dele era eu, com todas as promessas que ele fez e as noites que passei sonhando com um futuro ao lado dele. E agora…
— Eu sou a mãe dos filhos dele. Antonella disse isso com uma segurança ardente, como se cada palavra fosse um golpe direto.
Com um gesto calculado, ela retirou o envelope de dentro da bolsa de designer, preparando-se para lançar uma bomba sobre a vida de Hope. Lentamente, deixou o ultrassom sobre a mesinha ao lado de Hope, a imagem de um pequeno ser em formação, um vislumbre do futuro que ela nunca havia planejado, mas que agora lhe era imposto.
Hope olhou para a imagem, confusa, tentando processar a avalanche de informações que acabara de receber.
Sua mente girava, não apenas pela revelação chocante, mas também pela forma como aqueles pequenos gestos de Antonella pareciam deliberadamente projetados para desestabilizá-la.
Ela então desviou o olhar para Antonella, buscando entender a mulher por trás da postura tão confiante.
— A senhora está grávida? — a pergunta saiu hesitante, mas com uma ponta de curiosidade, como se Hope buscasse desvendar a natureza da rivalidade que se formava entre elas.
— Claro que estou. — Antonella sorriu com arrogância, o tipo de sorriso que revelava uma satisfação malévola.
— Mas ele terminou comigo depois que assinou aquele papel ridículo com você. Homem t**o. Acha que pode brincar de acordo enquanto cria uma criança minha, como se eu não existisse mais.
Ele não sabe o que está prestes a provocar. A vida dele não será mais a mesma.
Hope respirou fundo, sentindo o mundo girar ao seu redor.
A revelação não só a abalou fisicamente, mas também fez suas inseguranças explodirem em seu coração.
Era uma luta interna feroz entre a empatia e o medo do desconhecido que agora se desenrolava na frente dela.
— Parabéns… senhora. — as palavras saíram da boca de Hope mais como um eco de respeito do que uma congratulação sincera.
O sorriso de Antonella morreu por um instante, como se um feitiço tivesse sido quebrado. A resposta a esse último cumprimento tinha um peso inesperado.
— Senhora? — Antonella franziu o cenho, seu olhar cortante.
— Você me chama de senhora como se eu fosse velha, mas sou muito mais jovem e mais poderosa do que você imagina.
Hope respondeu com sinceridade limpa, aquela que machuca quem vive de farsas, como se tentasse rasgar as camadas de arrogância que Antonella exibia.
— É respeito.
Antonella a olhou de cima a baixo, despeitada, a expressão em seu rosto variando entre a ironia e a preocupação.
Em um momento, conheceu a insegurança sapiente que dançava debaixo de sua confiança.
— Pois saiba que você vai ter que cumprir o contrato direitinho.
Para você, vai ser só um trabalho, mas para mim é a minha vida. E eu fiz questão de vir aqui te avisar que…
Ela tocou a barriga suavemente, como se estivesse apresentando um tesouro sagrado.
— Os meus filhos também são herdeiros. Então se acostume com isso.
Eles terão um lugar ao lado de Anthony, e você terá que aceitar que minha presença será constante, indesejada mas inegável.
Hope não respondeu, não tinha forças para discutir, nem para entender por que aquela mulher sentia prazer em machucá-la.
Era um jogo de poder e um lembrete de que sua vida estava prestes a mudar, e não apenas por sua decisão.
Antonella deu meia-volta, talvez se sentindo vitoriosa, e com um toque de veneno na sua voz, arrematou:
— Seja feliz, Hope. — disse com ironia venenosa, o brilho nos olhos revelando que parte de sua satisfação vinha do desespero que ela provocava no outro.
— Se é que alguém como você consegue.
E saiu do quarto, deixando atrás de si o perfume marcante de seu desdém… e destruição.
O aroma envolvente que Antonella usava como um manto parecia agora uma metáfora da própria vida de Hope, carregada de promessas não cumpridas e decepções.
Mesmo o ambiente elegante, adornado com móveis requintados e obras de arte, parecia ter se tornado um cenário de um drama intenso e perturbador, onde as paredes testemunhavam a dor que contaminava tudo ao redor.
Assim que ficou sozinha, Hope levou as mãos ao rosto e começou a chorar baixinho, os soluços quietos ecoando pela sala como um lamento perdido.
O peso da opressão da situação a sufocava, como se as paredes estivessem se fechando ao seu redor.
Ela sussurrou entre lágrimas: — Meu Deus… no que eu fui me meter?
As palavras saíam entrecortada, como se cada uma carregasse consigo todo o peso de suas inseguranças e medos. — Ela está grávida… e ele… ele vai ser pai… Esse pensamento, como uma punhalada, fez com que seu coração se contorceu.
A realidade de que a vida dela estava entrelaçada à de Antonella e daquele homem a aterrorizava.
Ela chorou até que seu corpo doesse, o pranto desenhando um caminho de desespero e confusão em seu rosto.
Chorou não apenas por si mesma, mas também pela irmã, que parecia uma estranha agora, mergulhada em um mundo repleto de segredos e intrigas.
Chorou pelo contrato que agora a mantinha presa a um destino que nunca desejou, e pela vida que não pediu, mas que agora se manifestava de forma tão c***l.
Esperanças que um dia foram sonhos parecem agora destroços, e cada lágrima era um ode ao futuro incerto que a aguardava.