Uma briga em casa por causa do cartão de crédito do pai, que ameaçou tirá-lo dela apesar de ter comprado apenas um tênis e um livro para a faculdade, desencadeou duas crises de ansiedade horríveis em Any. Escondida, ela saiu para a rua só para poder ligar para Gegê. Era sábado, e eles tinham combinado de ir a um pagode, algo que Any havia insistido para conhecer, inclusive os amigos dele. Ela se sentou em uma praça e, à noite, mandou uma mensagem desmarcando, dizendo que tinha acontecido um imprevisto. Ele quis saber o que havia ocorrido, ligou para ela e perguntou se estava bem. Any começou a chorar, tentando disfarçar, e disse que precisava desligar, pois estava vindo outra crise. Ele falou que ia vê-la e que era para ela dar um jeito de encontrá-lo.
Quando a crise passou, Any mandou uma mensagem informando onde estava. Gegê foi buscá-la, chegou todo sério, sentou ao lado dela e a abraçou. Any falou que não podia demorar. Ele ficou a encarando quieto, e ela se segurou para não chorar, preferindo não contar o que aconteceu em casa. Ela morria de vergonha, principalmente porque seu pai tinha boas condições e ela nunca havia trabalhado fora. Ele disse que eles precisavam sair dali. Entraram no carro, e Any ficou quieta o trajeto todo. Foram para um lugar não muito longe, no meio do mato. Ele continuou quieto, olhando para ela e fazendo carinho. Any falou cabisbaixa:
— A gente pode dormir na sua casa?
Ele respondeu exultante:
— Claro, mas tem certeza? Não quero te colocar em mais problemas em casa. Brigou com seu pai? O que aconteceu?
Any falou, enxugando as lágrimas que insistiam em cair:
— Eu já sei fazer isso muito bem sozinha, me colocar em problemas. Não foi nada demais, eu nem sei por que ainda fico chateada, deveria estar acostumada já! Vamos? Por favor?
Ele ligou o carro e foram para a casa dele. Gegê a aconselhou a começar a se esforçar um pouco na faculdade, porque era nítido que ela não estava levando a sério. Any falou que não foi escolha dela e que não gostava daquilo. Ele respondeu:
— Você gosta pelo menos um pouco, vai, pensa no seu futuro, e seu pai nem sempre vai estar aqui para cuidar de você, Any. Você ainda é muito nova, sei que sua vida não é tão fácil sem sua mãe, mas ela com certeza ia querer te ver bem, no caminho certo.
Any falou com ironia:
— Não vem falar da minha mãe, você não sabe de nada do que se passa em casa, porque eu não te conto e você não conhece meu pai. Gegê, eu não quero falar disso, está bom?! Eu só não quero voltar para casa e não estou a fim de ficar ouvindo sermão de quem faz o que bem entende da vida, e você nem é tão mais velho que eu.
Ele disse sério:
— Isso é o que você acha, né?! Eu também sofro com a influência dos meus pais, e eles são divorciados há muito tempo, nunca foi fácil também. Mas deixa para lá, não vou ficar te enchendo!
Chegando lá, ele entrou mexendo no celular, trocando mensagens com alguém, e Any não pôde ver se era homem ou mulher. O primo dele estava lá, de saída. Eles nunca se encontravam. Any falou "oi" e foi para o quarto. Gegê demorou para ir, saiu para conversar na calçada e ficou falando baixo, voltou mais estranho ainda, impaciente, sentou na beirada da cama e ficou balançando o pé, olhando a televisão fixamente. Era nítido que ele não estava prestando atenção nela, típico de uma pessoa ansiosa e depressiva. Any começou a imaginar coisas, achando que ele estava com ela por pena, que com certeza ficava com outras meninas melhores, sem os problemas dela, livres para sair e fazer de tudo sempre. Com medo de ter mais crises lá, resolveu ir embora, sentou-se e falou mexendo no celular, vendo as mensagens do pai mandando-a ir embora:
— Gegê, dá para me levar já? Por favor? Acho que atrapalhei seus planos para hoje, e meu pai está me procurando.
Ele se aproximou, deitou com os pés fora da cama, disse que os planos dele eram ficar com ela. Any ficou quieta, segurando na mão dele. Ele levantou, foi tirando a camiseta, os tênis, apagou a luz e disse que ela não ia embora. Deitou ao lado dela, abraçado, deu um beijo, ficou fazendo carinho, mexendo no cabelo dela. Any falou, subindo em cima dele:
— Quero você!
Eles se beijaram. Ele perguntou se ela estava mesmo a fim. Any falou, tirando sua roupa:
— É tudo o que eu mais quero hoje!
Ela ficou no colo dele um pouco. Ele a colocou deitada, tirou toda a roupa dela, começou a chupá-la segurando na mão dela. Quando ela chegou ao êxtase, ele a beijou e foi se afastar para pegar camisinha. Any o segurou em cima dela e falou:
— Vai sem mesmo, quero te sentir por inteiro.
Ele nem disse nada, imediatamente a teve como nunca haviam feito antes. Any achava que já tinham chegado ao auge na cama, mas sentiu assim que ele a penetrou que ainda não. Ela m*l podia acreditar que estava mais gostoso ainda, era realmente tudo o que ela precisava para se sentir melhor, estar em seus braços, sendo sua por inteiro, de corpo e alma. Transaram por horas, várias vezes pararam com os movimentos e só ficaram se beijando, sentindo um ao outro tão intimamente. Quando acabaram, foi uma explosão de sentimentos, ao menos para ela. Any deitou em cima dele, cansada, sentiu-se realizada de certa forma. Ela soube então que estava indo longe demais, com muitas expectativas e um desejo louco por aquele homem. Poderia fazer aquilo por dias e nem precisava de mais ninguém além dele na vida dela, sua dependência emocional a fazia sentir isso. Dormiram juntos a noite toda e cedo fizeram mais duas vezes. Any foi embora e, ao chegar em casa, viu que seu pai tinha saído. Ela se trancou no quarto e deu graças a Deus. Ficou a semana toda sem sair, só foi à aula mesmo.
Eles ficaram sem camisinha a primeira vez, foi muito importante para Any, e isso a fez querer cobrar mais dele. No final da semana, ela foi ao estúdio no final do dia. Eles se beijaram, foram sentar no sofá abraçados. Any falou que eles já estavam saindo há um tempo e que ela não estava satisfeita com a situação deles. Ele não reagiu bem e respondeu:
— Não sei o que mais você quer, Any, você não é criança, beleza? Não vou pedir sua mão para seu pai se é isso que você quer, esquece.
Any respondeu com espanto:
— Não quero mais nada, Gegê, foi um ótimo passatempo, mas claramente um erro, é irrefutável, não dá mais para mim, sério!
Ele respondeu:
— Não é para tanto, que frescura, para com isso, a gente se curte assim, para que estragar?
Any falou bem calma:
— Você curte como está, eu quero alguém que me dê mais, você é legal, mas a gente não tem nada a ver, você tinha toda a razão desde o início, a gente não está na mesma vibe!
Ele nem tentou conversar, só disse se afastando:
— Se você quer assim, beleza.
Pasmas, Any levantou, foi pegando suas coisas e saindo. Ele falou que podia levá-la. Any falou:
— Olha, eu estou de boa de verdade, não precisa!
Ele nem tentou falar com ela. Any foi para casa chorando, muito chateada. Ficou sem entender por que ele a cativava tanto, fazia as coisas para conquistá-la e aí não queria nada com nada. Colocou muita expectativa onde só deveria ter colocado a língua, arrependeu-se de como se entregou fisicamente. Ele não lhe mandou nada, não ligou. Any também não foi atrás. Isso foi em uma quinta-feira. Na sexta, ela saiu com uma amiga e postou tudo. No sábado também, ela e suas amigas foram em um baile funk. Any estava decidida a ficar com alguém para sair da maré de azar. Ninguém chegava nela. Ela já estava ficando irritada, querendo ir embora. Elas começaram a dançar, e Any chegou em um cara que a estava olhando muito, ofereceu a bebida dela, perguntou o nome dele. Começaram a conversar e se beijaram uma vez. Um amigo dele interrompeu, disse que tinha um "B.O." para resolver. Ele foi lá, mas trocaram contato. Depois, Any o chamou para ficar com ela de novo. Ele a dispensou e a bloqueou antes mesmo de ela responder. Any ficou furiosa, muito irritada!
Umas duas horas depois que estavam no baile, Gegê passou por Any e não a viu. Ela decidiu ir embora para evitar vê-lo, mas deram de cara bem na saída. Any fingiu que não viu, mas ele a puxou pelo braço e falou:
— Any, oi, não vai falar comigo, não?
Any respondeu séria, puxando o braço:
— Oi, Gegê!
Ele perguntou:
— Vamos conversar? Vem comigo!
Any respondeu chateada:
— Não faz tudo ser mais difícil, a gente já falou o que tinha para falar.
Ele começou a falar para ela ir embora com ele, para eles relaxarem, curtirem. Any respondeu irritada:
— Gegê, não vou sair com você, se você realmente gosta de mim, para de falar essas coisas.
Ele tentou beijá-la, Any virou o rosto e saiu andando, deixou ele falando sozinho. Ele não foi atrás dela, e acabou com a noite de Any. Ela foi para casa, não conseguia dormir e pensou em ligar para ele, mandou mensagem perguntando se ele estava acordado. Ele respondeu que sim, falou que estava com os amigos. Era quatro da madrugada. Any não respondeu mais nada. Ele mandou logo:
— Onde você está?
Any respondeu:
— Em casa, não consigo dormir.
Ele respondeu:
— Vamos nos ver... Vou te buscar!
Any respondeu que não dava por causa do pai dela. Ele falou que queria falar com ela, pediu para eles se encontrarem depois, no dia seguinte. Any falou que ia pensar...
Depois, Any realmente chegou a pensar em vê-lo, mas ela estava muito chateada, e ele só queria se divertir com ela, fazê-la de otária. Ela parou de responder, passou a ignorar as poucas mensagens, e ao invés de diminuírem, começaram a aumentar. Ele lhe mandava bom dia, falava que estava com saudades dela, coisas clichês que a faziam ficar um pouco balançada. Ele lhe mandou mensagem a semana inteira. Na sexta-feira, Any tinha uma social de amigos da faculdade e perdeu a carona. Seu pai estava trabalhando. Ela ficou louca de perder a social e resolveu apelar, mandou uma mensagem para Gegê falando só "oi". Ele respondeu "oi, morena".
Any perguntou o que ele estava fazendo. Ele disse que estava saindo do estúdio, indo para casa. Na maior cara de p*u, Any falou:
— Eu preciso de uma carona, tenho um trabalho da faculdade para fazer em grupo e não tenho como ir, rola uma carona?
Ele respondeu:
— Rola, você que manda.
Eles se encontraram. Ele a pegou perto de casa. Any entrou no carro e não o beijou, nem no rosto, nem na boca, nada. Ele falou "oi", perguntou como ela estava. Começaram a conversar. Ele perguntou se ela estava saindo com alguém. Any falou que não. Ele disse que ela não precisava mentir. Any respondeu:
— Gegê, não estou entendendo, se eu estou ou não saindo com alguém, isso não é da sua conta.
Ele respondeu afrontoso:
— Então por que me chamou? Vai ficar agindo na ignorância comigo?
Any respondeu querendo chorar:
— Para o carro agora, Gegê, não quero mais ficar perto de você. Eu sou muito trouxa mesmo!
Ele falou que não ia parar, começou a correr mais. Any falou:
— Para, se não eu vou pular, para esse carro agora, você está maluco, o que você está fazendo?
Ele a respondeu gritando:
— Você que está surtada aí, Any, qual é a sua?
Any começou a chorar de raiva, tentou abrir a porta, mas estava travada, por sorte. Às vezes ela tinha uns ataques assim de raiva, quando sentia que chegava no seu limite.