Luna
Sentada dentro do ônibus ao lado de Kalifa a minha melhor amiga que conheci junto de Nick no IF, desci do elevador e logo a encontrei na portaria me esperando pois tinha ido me encontrar para ficar conversando durante o trajeto, ela está usando um shortinho com uma camiseta que valoriza suas curvas, resolvemos ir para o Aterro, afinal as baladas só abriam às 23h, e assim, podemos curtir um pouco do pré carnaval na areia da praia com bandas cantando marchinhas e músicas antigas. Com os ombros tensos senti a necessidade de desabafar sobre a minha situação com Nick e recebi a resposta que esperava. Mesmo rindo por fora, em algum lugar dentro do meu peito os questionamentos eram intensos.
–Você sabe que aquele é um i****a, e daí se ele gosta da maioria das coisas que você gosta, ou aguenta as suas crises de ansiedade isso é o mínimo que ele poderia fazer. Agora ele também poderia ser um homem de verdade e te fuder com gosto. – Abri um sorriso para suas palavras firmes.
No mesmo instante a senhorinha sentada na nossa frente virou,com os olhos arregalados, tenho certeza que imaginava como os jovens de hoje estão perdidos ou pior como as mulheres agora são pervertidas e toda essa besteira que as pessoas dizem por não suportarem ver mulheres decididas e donas do próprio corpo.
–Sim, senhora. Nós transamos. - Respondi desbocada e fazendo a senhora esbugalhar os olhos com a palavra se virando furiosa murmurando algo.
Olhei para as outras pessoas no ônibus vendo as poc’s em pé ao nosso lado começando a rir e nós duas caímos na gargalhada junto. O percurso não demorou tanto nesse horário, o trânsito flui bem pelas ruas que costumam ser movimentadas em horários de pico, além disso muitos preferem ir de Uber ou transporte público sim, por incrível que pareça nós os jovens que enchemos a cara de álcool e maconha somos os mais responsáveis ao escolher não dirigir.
Chegando no aterro descendo na parada de ônibus movimentada junto com os outros que iriam na mesma direção, atravessamos o quarteirão em direção ao calçadão da orla, caminhando até o ponto da areia em frente a tenda montada pela prefeitura para o DJ que vai tocar até as 22h, próximo encontramos logo uma barraquinha de bebidas e compramos doses de tequila começando a misturar com garrafinhas de cerveja, nem sempre podemos meter o pé na jaca mas hoje à noite é nossa. Perdendo o pudor que em um dia normal jamais permitirá ao menos balançar os quadris me peguei dançando e gritando porque isso não pode ser considerado canto com o álcool correndo no organismo trazendo risos bobos e sem motivo, esquecendo os problemas de casa e o cansaço depois de 12 horas de trabalho.
Resolvi comprar um glitter azul ao ver uma senhorinha trabalhando com ambulante provavelmente buscando fazer um trocado para pagar o aluguel, depois de abrir o pequeno saquinho comecei a jogar em Kalifa tentando fazer algum desenho mas só ficamos sujas mesmo, parei do nada e pensei nos peixinhos e me senti tão filha da p**a ali bêbada jogando glitter pra cima, sem pensar no meio ambiente logo depois com a embriaguez falando mais alto pensei em amanhã deixar a consciência bater.
Foi nesse momento que virada de frente para o calçadão avistei de longe alguns homens perto de uma barraquinha simples que costumamos comprar algumas coisas batizadas. Cutuco o braço da minha amiga chamando sua atenção.
–Kalifa, minha filha. – Berro para que escute. –Com um homem daqueles meu cu ficava assado de tanto dar.
Falei rindo sem dar a menor importância se alguém presta atenção.Infelizmente, beber tem esse efeito no meu organismo perder a dignidade.Ela olhou na minha direção rindo.
–Minha filha ainda tem prega no cu ? – A rapariga frescou, fazendo uma cara de surpresa, e senti o queixo cair enquanto ela ria.
Notei por sobre o ombro dela que um barbudinho estava se aproximando, mas deus oh homem feio.
–Nem se fosse solteira, nem amarrada.
Acabei falando apressada, chamando a sua atenção, para ver o homem do qual falei.
– Para de encarar Luna, se não ele vai pensar que tu tá interessada. – Ela moveu a cabeça para olhar o calçadão. – Cade os homens bonitos que tu apontou, só quero se tiver a rolona. – Me virei enquanto ria.
No mesmo momento começou a tocar Pabllo, esquecemos os homens, nos animando para dançar e começamos a coreografia de Parabéns rebolando loucamente, lembrei que ela tinha me perguntado algo ah sim os gostosos, olhei pra lá e só vi um.
–Ali Kalifa, perto da barraquinha do tio que vende aqueles brownies – Ri lembrando dos brownies de maconha que derrubavam minha amiga, e olha que isso era algo bem difícil de acontecer.
Ela virou e parece que o rapaz sentiu nosso olhar, nos encarou, gente que é isso um homem desses.
–Luna, me segura. Que nem guindaste me tira de cima daquela muralha, olha como esse homem é bonito e alto. Parece que ta acompanhado de outro cara, será que é viado?
–Acho que não bicha, mas vamos se aquietar ne, sabe-se de lá de onde esses homens saíram fia.
– Verdade, eu não daria o cu pra ele não, ficaria igualzinha ao rapaz que passou a noite com o Latrel.
Comecei a rir da comparação da louca, aproveitei para tentar olhar um pouco mais e quando virei vi os dois homens nos encarando da barraca, vi o de cabelos pretos fazendo o frio na espinha subir, as lembranças batendo com força, algo que nunca consegui entender, essa facilidade para reconhecer rostos.
–Viaaaaada acho que conheço aquele de cabelo preto, agora tu me pergunta da onde?!
Falei desesperada, tomada pela sensação de reconhecimento, ao mesmo tempo meio entorpecida pela bebida duvidando da minha consciência.
–Ué de onde? Que bela amiga que tu é hein, nem pra apresentar um gostoso desses pra amiga aqui necessitada.- Ela começou a bater no meu braço com cara de chateada.
–Ouxiii, se eu não lembro. Mas tu sabe né, que nome eu não lembro, mas a cara não me passa batida.
Bêbada sim, desconfiada sempre.
– To achando que tu já tá bêbada– Ela parou de dançar e se aproximou de mim – Olha pra trás tá vindo um gatinho atrás de tu, se não quiser eu quero. - a Louca riu e me virei para ver o loirinho vindo.
Comecei a rir das ideias da louca, o rapaz veio e comecei a dançar ali com ele, fechei os olhos rebolando e só me lembrei de Nick quando já estava apoiando a mão no chão para jogar a b***a pra cima ao som do batidão. Me levantei de uma vez diante da razão gritando em algum lugar da minha mente, o álcool subiu e tropecei, sentindo uma mão forte me apertando pelo quadril impedindo a queda, procurei o rapaz que dançava comigo vendo ele ser levado por um homem alto de blusa social.