Capítulo 59 Maria Luíza Duarte Arrastei a mala improvisada pelo corredor até o jato. Sofia estava nos braços de Alexei, que me seguia com passos firmes e aquele olhar analítico que ele não conseguia esconder, mas eu sabia que ele observava cada movimento meu. Dona Olga caminhava ao meu lado, os olhos fixos no nada, a expressão distante de quem já não espera mais nada do mundo. O estado dela me doía de um jeito que eu não conseguia explicar, uma ferida que latejava por saber o que haviam feito com ela. Cortar a língua de alguém era mais do que mutilação física, era roubar a voz, a dignidade. E, de alguma forma, aquilo me fazia querer lutar ainda mais para devolver a ela pelo menos uma fração de si mesma. Assim que entramos no jato, guiei Olga até um dos assentos mais confortáveis, com u

