A hora da verdade

1268 Words
O relógio marcava 16h15. O prédio de comunicação estava cheio de vida, mas Lia sentia como se todas aquelas pessoas estivessem em câmera lenta, indiferentes a algo que se aproximava rapidamente. Cada passo de Daniel, cada movimento pelo corredor, era agora carregado de tensão. O peso do quinto bilhete ainda pulsava dentro da mochila, como se estivesse vivo, lembrando-a de que cada segundo perdido poderia ser fatal. — Faltam menos de duas horas — murmurou Sofia, sua voz carregada de ansiedade. — A hora marcada pelo bilhete está se aproximando. Lia assentiu, sentindo o coração bater tão forte que parecia preencher todo o espaço dentro dela. — Temos que manter Daniel longe das escadas até lá. — Ela respirou fundo, tentando organizar seus pensamentos. — Mas precisamos fazer mais. Precisamos garantir que ele não seja distraído de nenhuma maneira. Daniel, caminhando à frente delas, parecia calmo, mas cada vez que olhava para os corredores, um leve tremor nos dedos traía sua preocupação. Ele estava ciente do perigo, mas ainda não sabia exatamente como as previsões funcionavam. Lia sentiu uma onda de apreensão: mesmo com as instruções, Daniel poderia se distrair em qualquer momento e tornar tudo em vão. O trio caminhava pelo segundo andar, passando por laboratórios, salas de aula e corredores cheios de estudantes. Cada ruído parecia amplificado: risadas, passos apressados, portas se abrindo e fechando. Para Lia, cada detalhe era crítico, cada segundo poderia ser decisivo. — Precisamos encontrar um local seguro para esperar até as 17h42 — disse Lia. — Um lugar onde ele possa se concentrar, sem distrações. Sofia olhou em volta. — Talvez o laboratório vazio no final do corredor. Mas será suficiente? — Para enquanto — disse Lia. — Depois, teremos que pensar em algo mais próximo das escadas, para intervir se necessário. Eles chegaram ao laboratório vazio. As janelas grandes deixavam entrar a luz do fim da tarde, dourando os equipamentos e mesas espalhadas. Lia sentiu uma pontada de esperança: pelo menos por enquanto, Daniel estaria seguro. Ela abriu a mochila novamente e retirou o sexto bilhete, que havia surgido silenciosamente, deslizando como se tivesse vida própria. O papel parecia vibrar em suas mãos. O perigo se aproxima, mas há algo que você ainda não percebe. O autor dos bilhetes observa mais do que você imagina. Não é apenas sobre salvar Daniel. É sobre descobrir quem controla tudo. — Olhe isso — disse Lia, mostrando o bilhete para Sofia e Daniel. — Não é apenas sobre salvar você. Há alguém observando tudo. Alguém que nos manipula. Daniel leu o bilhete com atenção, franzindo a testa. — Então isso não é apenas um aviso, é um teste. — Sua voz estava baixa, carregada de tensão. — Mas quem escreveria isso? — Não sabemos — disse Lia. — Mas precisamos descobrir. Enquanto houver tempo, devemos nos concentrar em manter você seguro. Sofia mordeu o lábio, claramente inquieta. — O que você acha, Lia? Ele vai acreditar na gente até o final? — Ele precisa acreditar — respondeu Lia, firme. — Não temos outra opção. --- O trio passou a vigiar discretamente o corredor que levava às escadas. Cada aluno que se aproximava parecia carregar uma ameaça invisível, e Lia sentia o peso da responsabilidade esmagando seus ombros. Ela percebeu que cada passo, cada gesto de Daniel, cada segundo, estava agora ligado diretamente à sobrevivência dele. — Ele está atento — disse Sofia, observando Daniel concentrado. — Mas ainda faltam mais de uma hora. Cada distração agora poderia ser fatal. Lia concordou silenciosamente. Ela sabia que o perigo era mais do que físico. Havia algo psicológico em jogo: a tensão constante, o medo iminente, a incerteza sobre quem escrevia os bilhetes. Enquanto isso, no corredor do lado de fora, alguém observava cada movimento do prédio. O vulto escuro permanecia imóvel, oculto atrás das árvores que margeavam o campus. Seus olhos brilhavam com uma intensidade fria, estudando cada passo do trio. — Elas finalmente entenderam — murmurou o homem, um sorriso sombrio surgindo em seus lábios. — Mas ainda não estão prontas para o que vem a seguir. Do lado de dentro, Daniel começou a se inquietar. Ele olhou para Lia e Sofia, procurando respostas que não podiam oferecer. — Isso é surreal — disse ele, tentando manter a calma. — Como podem saber tanto sobre mim e sobre o que vai acontecer? — Não sabemos — disse Lia. — Mas sabemos que cada previsão se confirmou até agora. Cada bilhete. Cada aviso. — Então… — murmurou Daniel. — Tudo isso é real? — É real — confirmou Sofia. — E precisamos que você se mantenha concentrado, sem se distrair. Daniel respirou fundo. — Certo. Vou fazer isso. Mas isso não parece um simples acaso. — Ele olhou para o corredor, como se tentasse ver algo que estava invisível. — Há algo mais. Lia assentiu. — Exato. O próximo passo é descobrir quem está por trás disso. --- O tempo continuava avançando. Cada minuto aumentava a tensão. Lia sentia o coração quase saltando do peito, cada batida lembrando que o relógio avançava inexoravelmente para 17h42. — Falta pouco menos de uma hora e meia — disse Sofia, olhando para o celular. — Temos que manter Daniel seguro até lá. — Certo — disse Lia, respirando fundo. — E depois disso, temos que descobrir tudo sobre quem escreve esses bilhetes. As três permaneceram no laboratório, observando discretamente cada movimento pelo corredor e as escadas. O prédio estava cheio, e cada pessoa que passava representava um risco invisível. — E se alguém tentar interferir? — perguntou Daniel, nervoso. — E se o bilhete estiver errado? — Não está errado — disse Lia, firme. — A primeira previsão se cumpriu, o segundo bilhete também. E o terceiro indicou que a morte estava próxima. Cada detalhe até agora foi exato. — Então o quarto bilhete — disse Daniel — e agora o quinto — disse Sofia — significam que há mais do que apenas um aviso. É uma série de testes, uma vigilância constante. Lia engoliu em seco. — Exato. E a única maneira de sobreviver é manter Daniel longe das escadas e atento até a hora marcada. O relógio marcava 16h50. Faltavam apenas cinquenta e dois minutos. — Cada minuto é precioso — disse Sofia, mordendo os lábios. — E não sabemos o que vem depois. — Nem quem está por trás disso — disse Lia. — Mas enquanto houver tempo, vamos fazer tudo para salvar Daniel. O trio permaneceu em silêncio por alguns instantes, cada um absorvendo a magnitude da situação. O relógio continuava a avançar, lembrando que o momento crítico estava se aproximando. E então, algo inesperado aconteceu: um novo bilhete surgiu na mochila, deslizando quase sozinho, como se tivesse vontade própria. Lia o pegou com mãos trêmulas e abriu. Você não percebeu ainda… mas o autor dos bilhetes está mais perto do que imagina. E observa cada passo, cada decisão. O estômago de Lia gelou. Essa mensagem não apenas aumentava o perigo, mas também sugeria que o autor podia estar dentro do prédio, talvez até perto delas. — Ele está aqui — murmurou Sofia, olhando ao redor, a voz baixa. — Alguém dentro do prédio… nos observando. — Precisamos nos concentrar — disse Lia, tentando manter a calma. — Daniel deve continuar longe das escadas. E precisamos estar preparadas para qualquer coisa. O relógio marcava agora 17h10. Faltavam apenas 32 minutos. Cada movimento era crucial. Cada decisão poderia significar vida ou morte. E Lia sabia, com uma certeza gelada no coração, que as próximas trinta minutos seriam os mais importantes de toda a sua vida…
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