Festa

1271 Words
Fui convidado para o lançamento de uma exposição por um colega que conheci em um clube de poesias. Ele disse que após o evento, haveria uma festa na casa do artista (era um pintor em ascensão). Em um primeiro momento pensei em recusar, mas já fazia tanto tempo que eu estava recluso em casa, que mudei de ideia. No dia do lançamento, encontrei meu colega no estacionamento do museu, combinamos que entraríamos juntos. "Essa exposição vai ser um verdadeiro sucesso, a forma como as cores e formas são usadas para criar uma ilusão de ótica são impressionantes." - comentei olhando para uma pintura à minha frente que era quase da minha altura. "Eu sabia que você ia gostar. Ele está trazendo um novo olhar para o abstrato geométrico, o que é incrível, considerando que a sua última exposição foi surrealista." A exposição estava lotada, e ao contrário do meu colega, eu não conhecia ninguém. Algumas pessoas o cumprimentavam quando passavam por nós, o que me fez perceber que ele era muito popular. Além de ser um grande intelectual, ele era charmoso e muito simpático. Era fácil entender o porquê da sua popularidade. "Vamos para a casa do meu amigo agora? Ele disse que podemos ir na frente porque ele dará algumas entrevistas antes." - meu colega comentou. Concordei com ele e pegamos um táxi até o local, conversando ao longo do trajeto. "O que está achando da noite? Valeu a pena aceitar o meu convite?" "Estou adorando, fazia tempo que eu não encontrava tantas pessoas." "Se você está animado agora, quero ver quando chegarmos na casa dele. Você vai se surpreender." Fiquei curioso com o que ele tinha dito, e vendo pela janela do táxi, comecei a notar os primeiros sinais de que o meu colega estava certo. Estávamos em um dos bairros mais nobres da cidade, era a primeira vez que eu frequentava um lugar como aquele. "Chegamos." - meu colega comentou enquanto pagava o motorista. Ao descermos do carro, fiquei sem palavras: a casa era uma mansão de três andares que ocupava quase toda a quadra. Me senti em uma realidade paralela, já que aquele lugar era tão grande, que só o meu apartamento deveria corresponder ao tamanho da entrada principal. Segui meu colega para dentro da casa, que já estava ocupada por parte dos convidados na exposição. Eu não sabia como agir em um lugar como aquele, era muito diferente do que eu estava acostumado. "Que lugar incrível, mas acho que estou sobrando aqui. Se eu soubesse que a gente iria para uma mansão tão luxuosa, eu teria até escolhido outras roupas." "Ei, não precisa se sentir assim. Mas se você estiver incomodado, podemos ir embora." Meu colega estava sendo legal me convidando para acompanhá-lo em um evento como aquele, eu não podia estragar os planos. Embora eu ainda me sentisse desconfortável, estava disposto a fazer companhia a ele. "Não precisamos ir agora, vamos aproveitar." - eu disse tentando disfarçar. "E se ficarmos só até o meu amigo chegar? A gente só o cumprimenta e depois saímos." "Gosto da ideia. Obrigado." Eu estava grato por ele entender o meu lado. Após conversar com alguns amigos, meu colega me chamou para irmos até a varanda. "Desculpe, não imaginei que você fosse se sentir tão desconfortável." "Eu que peço desculpas, não queria estragar a sua festa." "Não está estragando. Para ser bem honesto, embora a exposição tenha sido surpreendente, eu não estava muito interessado nela." "Ah é? Por que não?" - questionei sem grandes pretensões. "Porque nessa noite, meu único interesse é você." Ao ouvir aquelas palavras, fiquei sem resposta. Ele tinha me pego de surpresa. Nunca tinha passado pela minha cabeça que ele estivesse interessado em mim, até porque comparado a ele, eu era uma pessoa sem qualquer carisma. Quando saí de casa, não esperava ficar com alguém, minha intenção era somente conversar e aproveitar a exposição. Mas naquele momento, olhando para ele…vi que talvez eu devesse dar uma chance de o conhecer melhor. Nós não tínhamos conversado muitas vezes, mas nos dávamos bem. Ele era educado e gentil comigo, o que sempre me deixava confortável. "Quais são os seus planos para depois que sairmos daqui?" - perguntei me preparando para a sua resposta. "Depende de você. Quer ir para a minha casa ou para a sua?" Decidimos ir para o apartamento dele. Já fazia alguns meses desde que eu tinha saído com alguém e de certa forma seria bom relembrar como era ser desejado. Depois que vimos o amigo dele na festa, fizemos como conversamos: fomos embora. "Fique à vontade. Quer um whisky?" "Sim." - aceitei me sentando em uma das poltronas da sua sala de estar. O seu apartamento era como ele: bonito, simples, mas ao mesmo tempo elegante. Cada detalhe na decoração mostrava o quanto ele tinha um gosto sofisticado e uma personalidade única. Enquanto bebíamos whisky, conversávamos sobre a exposição, arte, literatura e todos aqueles assuntos que a cada gole se tornavam mais interessantes. Depois da faculdade, eu tinha prometido a mim mesmo que beberia menos álcool, mas meus amigos mais próximos sempre me ofereciam as melhores taças. Eu já estava desistindo de parar de beber. Eu sabia que ele queria me beijar a qualquer momento, mas eu ainda estava pensando sobre qual momento seria o melhor para tomar a iniciativa. Ficar um tempo sem flertar tinha me deixado desacostumado. "Você não acha que a minha língua está muito longe da sua?" - ele perguntou, dando mais um gole em seguida. "Então por que você não vem aqui?" - respondi colocando o copo de cristal na mesa de centro e dando um tapinha no meu colo. Imediatamente ele abriu um lindo sorriso e veio em minha direção, se sentando no meu colo com as pernas abertas, de frente para mim. Segurei suas coxas e ele abraçou meu pescoço, me beijando. Sentir a sua língua estimulando a minha, enquanto suas mãos bagunçavam o meu cabelo, estava despertando todo o meu corpo. Envolvido pelo álcool e pelos seus estímulos, decidi que naquela noite eu daria prazer a ele de uma forma inesquecível. Abri os botões de sua camisa, beijando seu pescoço. Cada vez que ele sentia meus lábios tocarem a sua pele, ele gemia, me fazendo ficar com mais vontade de possuí-lo. Depois de abaixar as minhas calças e puxar a minha cueca, ele se ajoelhou na minha frente, abrindo a boca. Quando ele já estava prestes a me chupar, meu celular começou a tocar. Em um primeiro momento ignorei a ligação, mas o barulho do telefone não parava de nos atrapalhar. Ele tirou o meu m****o de sua boca, parecendo frustrado. "Desculpe, vou colocar no silencioso." - respondi me levantando da poltrona e pegando meu celular no meu casaco, que estava pendurado ao lado da porta. Era uma ligação perdida de Vincent. Além das chamadas não atendidas, havia uma mensagem sua. "É muito tarde para te ligar?" Desde a última vez que eu tinha visto Vincent, não tínhamos nos falado mais. Ver que ele tinha me ligado e mandado uma mensagem me surpreendeu de tal forma, que eu não podia pensar em mais nada. Mesmo que eu tentasse, eu sabia que não conseguiria passar aquela noite com o meu colega. "Sinto muito, mas eu preciso ir. Surgiu um imprevisto." - falei apressado, começando a vestir a minha cueca. "Sério? É uma pena…" - ele respondeu parecendo muito decepcionado. "Podemos remarcar para outro dia se você quiser." "Ah sim, a gente marca." Saí do apartamento dele e imediatamente pedi um táxi. Eu ainda estava embriagado, mas consciente o bastante para falar com Vincent. Retornei a sua ligação.
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