TL : Na boca não tem relógio, não tem aviso. As coisas simplesmente acontecem. Eu e os caras nem esperaramo o Barone chegar quando a menina apareceu. Eu tava encostado perto do balcão, trocando ideia com dois parceiros, quando vi ela entrando devagar, cabeça baixa, braço colado no corpo como quem tenta se esconder do mundo. Devia ter uns dezenove anos, no máximo. Cara abatida demais pra idade. Ela falou baixo, voz tremendo, que o ex-namorado tinha batido nela. Que não era a primeira vez. Que tinha conseguido sair correndo de casa e veio direto pra cá porque não sabia mais o que fazer. Ninguém ficou fazendo pergunta demais. Naquele momento, não precisava. O medo dela falava por ela. Olho arregalado, mão tremendo, olhando pra porta toda hora como se ele fosse aparecer a qualquer segundo.

