8:12 da manhã MAVI: Desci pra padaria ainda com o cabelo preso de qualquer jeito, cara limpa e o dinheiro do pão dobrado na mão. Aquela hora da manhã sempre me dava uma sensação estranha de calma falsa, como se o morro desse uma trégua antes do dia engatar de vez. Gente indo trabalhar. Quando empurrei a porta da padaria, nem reparei de primeira. Só fui perceber quando ouvi a voz. — Mavi? Olhei pro lado na hora. Lobo tava sentado numa das mesas de plástico, com um café preto e um pão na chapa pela metade. Por um segundo eu travei, surpresa de verdade. — Ué… falei, sorrindo sem nem perceber. — O senhor por aqui? Ele riu de leve, limpando a boca com o guardanapo. — Bom dia pra tu também. — Bom dia. respondi, rindo. — Fiquei surpresa. O senhor não mora lá no outro morro? — Moro.

