Helena: A moto subiu o morro devagar dessa vez. Não tinha mais pressa, nem barulho de baile ecoando atrás da gente. As luzes iam ficando mais espaçadas, o silêncio tomando conta, quebrado só pelo motor e pelo vento batendo de leve. Quando ele parou em frente à casa dele, meu coração deu um salto que eu não consegui controlar. Desci da moto com as pernas um pouco bambas. Não de medo. De expectativa. — Quer entrar um pouco? ele perguntou — Quero. respondi, sentindo a voz sair mais baixa do que eu pretendia. A casa era simples, organizada, com aquele cheiro de quem realmente mora ali. Nada de ostentação, nada de pose. Ele largou o capacete, fechou a porta, e a gente ficou ali, em pé, como se os dois estivessem esperando algum sinal invisível. Sentamos no sofá, conversamos mais um pouc

