[Narrado por Hugo "Talibã"]
Acordei no sofá, rígido e fodido. Não pelo sono r**m, mas pelo tapa que ainda latejava — um lembrete do meu fracasso tático. Mas o que importava de verdade era o que aconteceu entre o primeiro e o segundo tapa: o beijo correspondido. A rendição momentânea dela.
A Liz me odiava por estar presa aqui, mas a p***a do corpo dela — a parte mais honesta e primitiva de uma pessoa — tinha traído esse ódio. Ela me desejou. E a prova não foi o meu beijo forçado, mas o desespero com que ela me esbofeteou para parar a si mesma. Aquele tapa não foi uma rejeição; foi um grito de socorro contra o próprio desejo dela.
Levantei do sofá. A fúria selvagem de antes deu lugar a uma calma fria e calculista. Eu tinha tentado a força bruta, tinha tentado a privação. Agora, eu usaria a arma que ela mesma me deu: o desejo que sente por mim.
Eu não iria mais implorar por palavras ou arrancar beijos. Eu a seduziria. Dia após dia. Faria o ódio dela se misturar tanto com o desejo que ela não saberia mais onde um começava e o outro terminava. Ela me rejeitou? Perfeito. Eu faria ela me querer desesperadamente antes de tocá-la de novo.
O jogo tinha mudado de "cativeiro" para "sedução forçada".
Subi para o meu quarto e tomei um banho. Vesti uma calça de moletom cinza e uma regata preta. Eu não precisava de roupas caras para ser o Talibã; precisava de presença. Desci as escadas devagar e o cheiro de café novo já estava no ar. Encontrei ela na cozinha.
A Liz estava de costas para mim, os cabelos escuros caindo sobre os ombros. Não estava mais com aquela p***a daquela camisola; vestia roupas simples, mas a rigidez no corpo dela gritava "mantenha distância". Parei na porta, encostado no batente. Não falei nada. Só observei.
Ela sentiu minha presença. Era impossível não sentir. Vi o corpo dela enrijecer ainda mais, os ombros se curvando de leve, mas ela não se virou na hora. Estava esperando, calculando. A briga da madrugada a deixou cautelosa, mas também mais desafiadora. Depois de alguns segundos, ela girou. O movimento foi lento, estudado, como se fosse um aviso.
Nossos olhos se encontraram. Os dela estavam vermelhos e com olheiras profundas — rastro da noite turbulenta. Mas não tinha mais pavor ali. Tinha frieza e desprezo, misturados a uma tensão nervosa que ela não conseguia esconder. O olhar dela correu do meu rosto para a minha camiseta e eu apenas mantive o foco nela, com um sorriso lento e perigoso. Um sorriso de quem sabe de algo que ela tenta esconder.
— Bom dia, Maria Liz — falei com a voz baixa e rouca, mas com uma doçura forçada que era aterrorizante.
Ela não respondeu com aquele "sim" ou "não" seco. Ela apertou a xícara na mão.
— Achei que o castigo de ontem teria te feito dormir no sofá até mais tarde — ela rebateu, com a voz carregada de veneno, mas controlada.
Eu ri, um som grave e seco.
— Eu estava no sofá. E você estava morrendo de fome no seu quarto. Viu o que acontece quando tenta me ignorar? A fome te leva direto para os braços do lobo.
Caminhei até a bancada e parei a um braço de distância dela. Perto o suficiente para ela sentir o meu calor, mas longe o suficiente para saber que eu não a tocaria — por enquanto.
— A partir de hoje, a rotina muda. Você não precisa mais ficar trancada. Eu sei o que acontece quando você está perto de mim. E sei o que você faz quando se sente pressionada — baixei a voz para um sussurro. — Você se rende, Liz. E eu vou te dar tempo para você vir até mim de livre e espontânea vontade.
Estendi a mão e baguncei o cabelo dela, um toque leve, quase um carinho. O corpo dela encolheu, mas ela não se moveu.
— Pode ficar com seus livros. Pode voltar para o seu trabalho. Mas, a partir de agora, eu vou te mostrar que a única fuga que você realmente deseja está aqui, comigo.
Peguei a cafeteira e me servi, quebrando o contato, mas deixando a ameaça no ar. O sorriso vitorioso estava de volta, e desta vez era sincero. Ela podia ter vencido a noite com um tapa, mas eu tinha vencido a guerra psicológica. Ela me queria, e eu tinha todo o tempo do mundo para cobrar isso.