Dominique Bem.
Todos se levantaram para ir embora, peguei minhas coisas e, quando passamos pela mesa dos almirantes, o Capitão Chances já estava lá, seus olhos se estreitaram quando ele me viu e depois Cleber, que segurava minha mão.
— Para onde eles estão indo? — Perguntou o Capitão Chances, sem nenhum tipo de restrição ou moderação em suas palavras quando estava diante de seus amigos.
Eu queria que todos ignorassem a pergunta dele, mas obviamente eles não fariam isso.
— Vamos a um cassino jogar pôquer, murmurou Augusto. Você gostaria de se juntar a nós?
O capitão Chances sorriu para mim enquanto respondia:
— Bom.
Não sei por que isso soou como uma ameaça para mim.
— Isso parece interessante, disse o Contra-Almirante Rhuan, e o Vice-Almirante Julio Cesar o apoiou. — Estamos nos juntando a vocês. O que diz o Almirante Leal? Você está se juntando a nós?
O Almirante Leal parecia cansado e balançou a cabeça.
— Não, na verdade, eu prometi à minha filha que sairíamos cedo, ele respondeu. Continuo cansado da viagem e ela precisa descansar o tornozelo.
Isa pareceu entrar em pânico, como se quisesse contradizê-lo.
— Podemos ir se você quiser. — Isa disse ao pai, mas ele balançou a cabeça.
— Não, e não diga bobagens, respondeu o Almirante Leal, você precisa descansar o tornozelo, então vamos.
Isabela apertou os lábios, parecendo querer encarar o pai, mas não conseguiu dizer nada; ela não podia deixá-lo sozinho.
Todos se levantaram e fomos em direção à saída. Droga, eu não conseguia entender como o Capitão Chances sempre conseguia se intrometer nos nossos planos.
Daniel Chances.
Gostei da expressão de angústia no rosto de Dominique quando ela percebeu que eu iria jogar pôquer com ela. Eu não conseguia tirar os olhos dela e daquele maldito vestido. Além disso, fiquei realmente incomodado pelo fato de Cleber não soltar a mão dela e ficar sussurrando em seu ouvido como se ela pertencesse a ele, como se ela fosse propriedade dele e ele tivesse o direito de tocá-la.
Ele já teria feito isso depois do que aconteceu conosco ontem à noite?
Minha cabeça girava pensando nisso, pensando nas mãos dele em cima dela, na boca dele, na dela, e Dominique suspirando por mais e gritando o nome dele, como ela fazia comigo.
Eu sentia que estava perdendo a cabeça e os pensamentos, precisava de mais uísque.
— Homens são o que eu tenho de sobra.
Suas palavras ecoavam na minha cabeça repetidamente porque eu não tinha dúvidas sobre isso; qualquer homem de bom gosto desejaria uma mulher como ela ao seu lado. Os planos e estratégias pareciam não ter mais lugar na minha cabeça, sua indiferença para comigo estava começando a me deixar louco e eu não conseguia tirar os olhos dela, sabendo que ela estava resistindo a mim, mesmo me desejando com a mesma força que eu.
Ou eu havia inventado isso? Ela não me queria como antes?
Não. Ela só me queria, eu vi isso nos olhos dela e na maneira como seu corpo reagia quando eu a tinha perto de mim no banheiro. Recusei-me a deixar Cleber colocar as mãos nela.
Ela era definitivamente a única mulher que conseguia me surpreender e roubar minha atenção.
— Meu amor, estou indo embora agora, disse Isa, pegando meu braço. Desviei o olhar de Dominique quando Cleber abriu a porta do veículo para ela e me virei para olhar para Isa. Ela parecia ter uma expressão abatida.
— Adeus, respondi, querendo ir até meu veículo para ir embora rapidamente, mas ela não soltou meu braço. Olhei para ela novamente, um pouco impaciente.
— Isa, com a voz embargada, disse ao Capitão para não ir.
Eu fiz uma careta.
— Para onde? — Perguntei.
— Não quero que você vá ao cassino com eles. Ela respondeu, com os olhos cristalizados. Volte conosco para o centro D.E.A e fique comigo.
Olhei para ela como se ela tivesse enlouquecido.
— Não. — Respondi, não querendo ficar com ela nem por mais um segundo quando a mulher que eu realmente queria estar no veículo de outro homem. Isa ergueu ambas as sobrancelhas e sua boca formou uma careta de surpresa.
— Estou perguntando a você, como sua namorada e futura esposa, ele insistiu, você não me ama?
Eu bufei ao pensar que eles estavam me manipulando, me contando sobre aquela coisa do casamento que só tinha sido discutida uma vez, há muito tempo.
— Eu nunca disse que te amo. — Respondi.
Ela apertou os lábios, mas não conseguiu me contradizer; eu nunca contei a ele.
— Mas não vamos nos casar, Chances?— ele refutou, parecendo perder a cabeça—, eu devo ser sua prioridade! e a família que vamos criar!
— Família? — Repeti sem entender.
— Filhos, disse ele, quero ter filhos com vocês, formar um lar. É hora de se acalmarem e pararem de se distrair com essas bobagens. Venham para casa comigo e mostrem que vocês querem o mesmo que um bom capitão.
Estávamos em páginas muito diferentes.
— Não quero mais filhos, respondi, e, para ser sincero, não tenho cabeça para pensar em casamento, Isa, ou em família agora.
Ela piscou algumas vezes, enquanto lágrimas escorriam pelo seu rosto.
— Mas Chances, nós já conversamos sobre isso… — insistiu.
— Talvez seja hora de repensar isso. — Respondi.
Ela balançou a cabeça e perguntou baixinho:
— O casamento?
— Sim. — Respondi sem hesitar, não me importava se ele não gostasse das minhas respostas, naquele momento nada realmente importava para mim.
Isa franziu a testa, pensou por um momento e disse entre dentes, com raiva:
— É por causa dela, certo?
— Quem?
— É devido à Comandante Bem, ela respondeu, desde que você a viu, sua cabeça não parece estar onde deveria estar. Ela tirou seu amor de mim.
Eu bufei e balancei a cabeça enquanto respondia:
— Eu nunca te amei.
— Sua boca se abriu um pouco, mas não foi como se minha resposta a tivesse pegado de surpresa, eu nunca lhe mostrei algo que não fosse verdade, eu tentei; eu realmente tentei mudar um pouco, me comportar melhor e pensar em me estabilizar tratando-a bem, porque eu sabia que ela não merecia o contrário.
Mas todos os meus planos mudaram quando a vi novamente. A partir daquele momento, vi seus tempestuosos olhos azuis topázios e ouvi seus hipnotizantes suspiros de sereia. Não tive mais como retroceder e ninguém jamais seria suficiente para tirá-la da minha maldita cabeça.
Virei-me, sem me importar com a aparência miserável de Isa, e entrei no meu veículo. Eu não ia deixar Cleber ficar com ela.