CAPÍTULO 29

1242 Words
Dominique Bem. Fiz questão de ficar de costas para o Capitão Chances, assim como Isa e os outros almirantes, o tempo todo. Dessa vez, fomos a um restaurante grego para fazer algo diferente, mas, nossa, não imaginei que os encontraria aqui. O Capitão era a última pessoa que eu queria ver naquele momento, principalmente porque ele estava com aquela mulher ao seu lado e eu podia sentir seu olhar envenenado me perfurando. Chances me mostrou algo importante hoje, ele deixou claro para mim que mesmo eu tendo dito para ele deixar Isa para terminar com Cleber, ele não gostou do meu pedido e me fez entender que sua ordem era somente para mim, que ele exigia coisas de mim, mas não gostava que eu fizesse o mesmo, que ele podia sair com qualquer mulher que quisesse e eu tinha que me submeter a ele e suas exigências como se eu fosse um cachorro ou me contentar em dividi-lo. As coisas não eram assim e ele teve que aprender isso. Agora eu não dava a mínima para suas ordens. Eu estava com um homem que me adorava, capaz de beijar o chão por onde andava, e eu aproveitava a oportunidade para esfregar isso na cara dele quantas vezes eu quisesse. Pedimos comida enquanto falávamos sobre o quão aterrorizante era a missão de hoje, trocando posições, armas e histórias engraçadas sobre o que vimos lá. Ocasionalmente eu via Jasmim, ela estava sentada ao lado de Catarina, mas eu ainda notava como ela sorria para Augusto de uma forma sedutora, porém eu realmente duvidava que Augusto fosse tão descarado a ponto de retribuir o sorriso de Jasmine enquanto estava sentado ao lado de Catarina, nós duas éramos amigas, eu me recusava a pensar que algo assim aconteceria; ou melhor, preferi ficar indiferente. Quando terminamos de comer, peguei um guardanapo e limpei o canto da boca de Cleber antes de lhe dar um leve beijo nos lábios. Ele sorriu para mim enquanto seus olhos escureciam um pouco e ele passou a mão sobre a a******a nas minhas costas, acariciando-me com a ponta dos dedos. Jasmim se aproximou de mim enquanto os meninos estavam distraídos conversando e sussurrou em meu ouvido: — Muito bem, é assim que se faz. O Capitão parece que seus olhos vão saltar das órbitas ou explodir ao ver o Coronel Weber acariciá-lo. Balancei a cabeça e dei de ombros. — Não estou fazendo isso para deixá-lo com ciúmes", sussurrei em seu ouvido. Ela esticou os lábios naquele sorriso travesso que costumava caracterizá-la e tomou um gole de sua taça de vinho para responder: — Bem, está funcionando. Tentei não pensar no Capitão Chances, mas ainda sentia minha pele arrepiar diante de seu intenso olhar de águia, que, não importava o quanto eu tentasse ignorar, eu sentia fixo na minha nuca. Bebi meu copo até o esvaziar e mesmo assim minha sede não passou nem meus nervos se acalmaram. Já era o sexto que eu bebia. Fiquei um pouco tonto, mas me servi um pouco mais. — Vamos jogar pôquer? — Augusto sugeriu— a noite parece estar apenas começando e não há planos oficiais para amanhã. Agora que os chefes estavam em reunião, tudo o que precisávamos fazer era treinar e nos preparar para as novas ordens. Às vezes eu sentia falta da minha posição de sargento, onde eu estava limitado a fazer meu trabalho de engenheiro. Agora eu era um comandante e tinha muito mais responsabilidades com aqueles de patente mais baixa. — Quero ir dançar", disse Jasmim, tomando mais um gole de vinho. — Podemos ir ao DISCO, é um cassino e tem uma boate para quem quiser dançar —disse Cleber—, é um lugar exclusivo. — Eu amo isso! — Jasmim disse. — Estou um pouco cansada de dançar", murmurou Catarina movendo o pescoço um pouco de um lado para o outro. — Então eu posso ir com Jasmim, disse Augusto. Catarina evidentemente não gostou da ideia. — Não, podemos ir, mas vamos sair cedo, disse Catarina, olhando para ele num aviso silencioso. — Excelente, disse Cleber, cedo é bom, todos nós precisamos descansar. — Ok, eu disse e me levantei. Vou ao banheiro antes de sair. Cleber pegou meu pulso e eu olhei para ele. — Vamos pagar a conta agora, querida, disse Cleber. — Ah, eu disse, abaixando-me para tirar as notas em dinheiro da minha bolsa e entregando a ele antes de ir ao banheiro. Quando saí do banheiro, lavei as mãos e ajeitei meu vestido, soltando um suspiro enquanto me olhava no espelho. Minhas bochechas estavam muito vermelhas e meus olhos estavam vidrados, eu estava bêbada? Não, mas eu definitivamente estava no meu limite porque estava um pouco tonto e minha cabeça estava mais leve. Quando saí do banheiro, esbarrei meu ombro em alguém que vinha na minha direção, eu estava prestes a me desculpar quando de repente ele me agarrou pelos ombros e me jogou contra a parede, fiquei assustada, mas não vacilei quando reconheci aquele cheiro sedutor com um leve toque de uísque, era o Capitão Chances quem estava me segurando pelos ombros, ele estava perto, mas não o suficiente para tocar seu peito com o meu, seus olhos cinzentos estavam fixos nos meus como se ele quisesse perfurar minha alma e eu abri minha boca ligeiramente com sua ação inesperada. ‍​‌‌​​‌‌‌​ — O que você está fazendo? — Sussurrei sem fôlego, meu corpo inteiro começando a sentir um calor profundo devido à curta distância que ele estava de mim e ao calor ardente que suas mãos emitiam em meus ombros nus. Suas bochechas coradas, seu olhar um pouco vago, mas, ao mesmo tempo, firme, me fizeram perceber que ele estava um pouco bêbado. — O que você está fazendo aqui com ele, Dominique? — Ele deixou escapar, com o maxilar cerrado e parecendo irritado. — Jantar, respondi simplesmente, notando como seus dentes pareciam brilhar mais. — Eu disse que não estava disposto a dividir você, ele respondeu, e uma de suas mãos subiu para envolver meu pescoço, estremecendo todo o meu corpo — muito menos com ele. Estremeci com seu toque lento e sensual, ele não me apertou, mas conseguiu criar milhares de sensações em cada parte do meu corpo, minhas pernas traiçoeiras começaram a formigar, seus olhos cinza escuros desceram para minha boca e foi só naquele momento que percebi que ele estava mordendo meu lábio inferior, soltei-o de entre meus dentes e respondi: — Eu disse que não queria dividir você também, e aqui está você com aquela mulher, Capitão. Então, você pode ficar com ele. Coloquei a mão em seu peito e o empurrei levemente para trás, fazendo com que ele me soltasse. Sua respiração estava ofegante e seu rosto estava vermelho, como se ele não conseguisse encontrar uma saída. — Dominique, não me deixe louco. — ele respondeu. — O que você quer? — Levantei uma sobrancelha — Rezar por você? Se você não quer ficar comigo, então não fique, fique com ela. Dei um passo em sua direção e acrescentei num sussurro: "Homens são o que me sobra." Seu peito subia e descia pesadamente, seu olhar mudou para um mais profundo e ao mesmo tempo era como se ele tivesse entendido que não tinha poder sobre mim. Meu orgulho e ego naquele momento eram maiores que minha atração por ele. Virei-me e voltei para a mesa.
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