— Dominique Bem, seus lábios murmuraram meu nome, ele pareceu tão surpreso em me ver, como se não conseguisse entender que eu estava realmente parada na frente dele, estou vendo fantasmas que deveriam ter falecido há muito tempo.
Seus olhos me olharam de cima a baixo como se ele tivesse percebido mais uma vez que era eu.
— Como você ficou assim? — Murmurei, balançando a cabeça.
Ele deu uma risada irônica.
— Foi isso que você fez comigo. — Disse ele gritando, seu rosto ficando vermelho enquanto ele soltava aquelas palavras cheias de ressentimento em relação a mim.
Ele atirou, mas por sorte, eu desviei para atirar nele também. Porém, com reflexos rápidos, ele conseguiu desviar de mim, se aproximando para lutar com minha arma e conseguiu jogá-la no chão. Eu dei um chute no estômago dele que o fez cair no chão e deixar cair sua arma, então ele se levantou e, por reflexo, conseguiu me dar um soco no rosto que me fez ver tudo embaçado por alguns segundos enquanto sangue se acumulava em minha boca
.
— Você está fora de prática, Dominique, ele disse ironicamente, rindo cinicamente. Definitivamente, não sobrou nada do Gael que eu conhecia.
Cuspi para o lado, me recompondo, e dei um chute nele, que conseguiu desviar, mas o último acertou sua cabeça, desestabilizando-o. Ele tirou uma faca do bolso e começou a movê-la contra mim. Eu desviei, porém, quando coloquei meu antebraço para que ele não cortasse meu rosto, ele fez um corte na camisa do meu uniforme e na minha pele. Fiquei sem fôlego quando ele me chutou e eu caí no chão. Ele aproveitou para se aproximar, alargando o sorriso, os olhos brilhando por me ver tão indefesa.
— É bom ver você de novo, disse Gael, levantando a faca para me esfaquear no peito quando uma bala atingiu seu braço de repente, fazendo-o estremecer e ofegar de dor.
Augusto estava lá mirando nele, pronto para atirar novamente, mas Gael rapidamente desapareceu entre as árvores. Vimos como todo o grupo Hanã começou a se retirar. Não havia muitos deles, e estávamos em maior número, o que era suspeito, como se tivessem vindo somente para verificar o terreno.
Isso era r**m, porque significava que eles estavam se preparando para realmente atacar.
— Você está bem? — Augusto perguntou, me ajudando a levantar — Eu persegui os filhos da p**a quando eles começaram a recuar e eu vi você.
— Estou bem, respondi, recuperando o fôlego. Eu tinha um pequeno corte no antebraço que estava sangrando muito, mas não parecia ser tão profundo.
Augusto rasgou um pedaço de tecido do seu uniforme e fez um torniquete improvisado no meu braço para estancar o sangramento e voltamos para o resto da equipe. Jasmim e Catarina estavam bem, para meu alívio. Infelizmente, houve algumas perdas. Muitas pessoas ficaram feridas, mas muitas foram pelo Hanã, que parecia ter feito um ataque suicida. Embarcamos nos ônibus e rapidamente retornamos ao centro D.E.A.
Quando cheguei, o Capitão Chances me viu e se aproximou de mim.
— Você está machucada, ele disse, pegando meu braço sem qualquer delicadeza. Seu rosto estava sujo, assim como seu uniforme. Ele não parecia ter nenhum ferimento além de alguns pequenos cortes que cicatrizariam rapidamente. Ele me arrastou para o pronto-socorro, exigindo que me atendessem rápido e começaram a dar pontos no meu braço.
— Parece ter sido um ataque planejado, eu disse a ele. Eles interceptaram o sinal durante o ataque, então não pudemos ver por onde eles entraram ou usar as bombas para o ataque.
— Você tem seu tablet para podermos verificar a área que acabamos de cobrir e a área que está faltando? — ele perguntou, seus olhos cinzentos parecendo preocupados enquanto ele olhava para mim.
— Não, capitão, eu disse, quando me atacaram, eles quebraram, mas consegui fazer upload de um backup antes do ataque, posso acessá-lo novamente.
— Tudo bem, só precisamos de uma reunião para avaliar os danos e criar uma estratégia de contra-ataque, disse o capitão.
— Acho que eles vieram aqui para nos contar, Capitão, eu disse, gemendo enquanto o paramédico puxava um pouco minha pele. Não parecia um ataque real.
Eu tinha certeza de que, se tivesse sido um ataque real, não teríamos saído vivos, não estaríamos suficientemente preparados para aquele ataque surpresa.
Ele assentiu, parecendo pensar a mesma coisa que eu.
— Vou planejar ativar as bombas agora, murmurou o Capitão Chances. Aquela área será restrita. Se eles quiserem voltar, vamos explodi-los em mil pedaços.
Eu podia dizer o quão estressado ele estava pela veia, saltando em sua testa enquanto ele colocava as mãos na cintura.
— Eu vi Gael, comentei.
Seus olhos cinzentos me olharam profundamente dessa vez.
— Foi ele quem fez isso com você? — Perguntado.
Só confirmei com meus olhos.
— Receio não o reconhecer mais, murmurei.
— Eu também não, ele confirmou, seus olhos parecendo mergulhar na memória. Não deve ter sido fácil para ele que seu próprio filho tivesse decidido se juntar ao inimigo.
Quando terminaram de costurar meu braço, o capitão me ajudou a sair da maca de primeiros socorros. A mão dele segurava a minha, mas ele não a soltou quando começamos a andar, como se não se importasse com quem nos visse. Eu estava prestes a dizer algo quando de repente meus olhos foram para onde Isa estava. Ela se aproximava rapidamente de muletas, com o rosto aflito, olhando para o Capitão Chances, como se estivesse prestes a chorar. O capitão e eu paramos e nos soltamos. Quando ela jogou as muletas no chão, colocou os braços em volta do pescoço de Daniel Chances e o beijou nos lábios na frente de todos, Chances ficou tão surpreso que nem reagiu. Isa se separou com lágrimas escorrendo pelo rosto e o abraçou.
— Querido, pensei que algo tivesse acontecido com você, ela soluçou. O capitão olhou para mim e eu fiquei ali por alguns segundos em completo choque, porque ele não a afastou e parecia estar em uma encruzilhada porque não havia terminado com ela.
Ela ainda era namorada dele.
Eu era o desnecessário aqui e isso estava completamente claro para mim até agora.
Virei-me para sair, sentindo a irritação começar a crescer na minha cabeça, e vi Loures num canto, com os braços cruzados sobre o peito, e ela sorriu para mim com superioridade. Nunca senti que odiava alguém na minha vida tanto quanto a odiava, mas não foi culpa dela, foi minha, por começar a ficar excitada por um homem que não me colocava em primeiro lugar, mas me tratava como sua amante.
Cleber me interceptou na estrada, seus olhos claros me encarando, seu rosto coberto de sujeira, e ele me pegou pelo braço, vendo o ferimento.
— Você está bem? — ele perguntou assustado—, eu não conseguia te encontrar, eu temia o pior.
— Estou bem, respondi, sentindo meus olhos vidrados. Estou bem.
Ele me abraçou sem se importar com quem pudesse nos ver e então acariciou minhas costas, senti-o tremer, ele parecia realmente preocupado e agora aliviado por me ter em seus braços.
— Vou te acompanhar até seu apartamento, ele disse, beijando o topo da minha cabeça. — Vamos.
Comecei a andar com ele, evitando olhar novamente para o Capitão Chances. Acho que naquele momento percebi estar em boas mãos e que Daniel Chances era somente uma ilusão que só conseguiria tirar um bom homem da minha vida e desaparecer com Isa para sempre…