Acordei cedo na manhã seguinte queria resolver muitas coisas hoje e não sabia por onde começar, tomei um banho rápido peguei uma roupa e já desci acelerada, papai estava tomando café sendo servido por minha mãe.
— Bom dia. - falei e peguei uma maçã da mesa.
— Não vai comer filha? - perguntou meu pai.
— Não, vou resolver tudo o que puder hoje, o advogado a transferência e outros assuntos particulares. - disse.
Fui direto para a delegacia, e Beto foi transferido, mais uma vez não pude falar com meu irmão. Sai da delegacia e fui até o prédio da defensoria pública para achar um defensor para Beto, nem que fosse na base do barraco. Cheguei no prédio e entrei, falei com o recepcionista que me mandou para o terceiro andar.
Chegando no local, expliquei para moça e ela me disse que um advogado particular já tinha pegado o processo dele que já estava lendo na sala pública, fiquei surpresa logo um advogado particular.
— Eu poderia ir até lá, ele é meu irmão e eu sou a responsável por acompanhar o caso dele. - perguntei e ela sentiu e me apontou a direção.
Entrei no local e olhei o lugar, eram menos individuais, a maioria já estava ocupada, eu não sabia que tinha pegado o processo dele, Será que era r**m sair perguntando? Quando me preparei para começar a perguntar olhei para uma mesinha lá no fundo e reconheci Gustavo sentado lá, talvez ele soubesse como eu poderia descobrir.
— Ocupado? - perguntei já com a mão na mesa.
— Como você me encontrou aqui? - indagou.
— Eu vim olhar o processo do meu irmão e acharam defensor para ele, mas a moça disse que um desses aqui está estudando o processo só não sei qual nem como perguntar quem seria. - falei e me virei para olhar os outros.
— Bom, eu já estou de saída, então pode ficar com a mesa e com a leitura, eu tenho que ir no juiz pedir um habeas corpus. - disse levantando e entregando o documento que tinha o nome do meu irmão.
— Espera, você vai pegar o caso dele? - perguntei sem acreditar.
— Sim, Beto é meu amigo, preciso fazer isso por ele, agora se ele der licença tenho que fazer. - falou e saiu. Será impressão minha ou o Gustavo estava sendo frio comigo?
Decidi ir atrás dele para saber sobre os motivos dele estar tão indiferente, até porque eu não tinha feito nada para merecer aquilo. O alcancei ainda no corredor.
— Ei, porque está agindo assim comigo? - perguntei parando em sua frente.
— Me desculpe, eu não estou bem hoje, não quero conversar além disso, não estou fazendo nada. - disse.
— Você está sendo seco comigo, o que foi que eu te fiz? Foi só porque disse que não voltaríamos, porque você sabe que isso não vai acontecer não é. - expliquei mais uma vez.ex
— De modo algum o que aconteceu ontem foi um erro que não vai se repetir, o problema não é com você, é comigo, eu não deveria ter feito, mas fiz errei novamente. E sempre quem sai perdendo sou eu. - falou.
Eu não entendi o porquê tanto arrependimento, foi ele que me provocou até eu ceder agora vem com essa. Quando pensei em responder o telefone dele, tocou.
LIGAÇÃO ON (Apenas as falas de GUSTAVO)
— Alô.
— Sim, eu vou pegar você.
— Que horas você chega?
— Também estou com saudades.
— Também te amo, te vejo mais tarde.
LIGAÇÃO OFF
Desligou o telefone e me encarou, só para ver meus olhos cheios de lágrimas, como eu ainda podia chorar por ele depois de tanto tempo?
— quem é ela? - perguntei não por ciúmes, mas para confirmar o que eu desconfiava pelo modo que ele falou com ela.
— É minha noiva. - disse ainda com os olhos fixos em mim.
Eu respirei fundo e uma lágrima caiu, não fiz questão de esconder, era mais uma decepção que sofri, mas essa seria a última. Levantei minha mão e dei um tapa nele, o pegando de surpresa.
Vi tristeza em seus olhos, mas era culpa pela traição a noiva, eu virei as costas e saí, deixando o papel no balcão e seguir para o elevador enxugando as lágrimas que insistiam em cair, mas isso não ia mais acontecer, não choraria mais por ele.