O banheiro de Don Alfonso era revestido de azulejos claros e exalava um cheiro forte de desinfetante que, misturado ao aroma de fritura que vinha do salão, revirou meu estômago de vez.
Mal consegui trancar a porta da cabine antes que o café da manhã e o pouco do jantar que forcei para baixo voltassem violentamente.
Apoiei as mãos frias na porcelana, sentindo o suor brotar na minha testa. Cada contração do vômito repuxava os cortes nas minhas costas, uma agonia dupla que me deixou sem ar.
Fiquei ali, ajoelhada no chão gelado, esperando a tontura passar. O tempo parecia se arrastar; foram quinze minutos de uma luta silenciosa para não desmaiar entre as náuseas e o ardor da pele.
Quando finalmente consegui me levantar e lavar o rosto na pia, eu era um fantasma. Sequei a boca, ajeitei o batom com dedos trêmulos e respirei fundo. Precisava voltar para a mesa. Precisava ser a Signora Rossi por mais uma hora.
Ao sair do toalete feminino, o corredor estava na penumbra. Um som estranho, vindo do banheiro dos homens logo à frente, me fez estacar.
Era um baque rítmico contra a madeira, misturado a um ganido agudo. Meu primeiro instinto foi o medo; em lugares como o de Alfonso, um barulho desses poderia significar um acerto de contas, uma agressão.
Aproximei-me devagar, a curiosidade mórbida vencendo o bom senso. A porta estava entreaberta. Vi uma cascata de cabelos escuros balançando e o brilho de um sapato de salto alto enganchado em um quadril.
Pensei em uma vítima, em alguém sendo subjugado, até que ouvi a risada. Uma risada de escárnio, de prazer desavergonhado.
Dei mais um passo. A luz amarelada revelou o terno de alfaiataria.
Ettore estava com as calças arriadas até os joelhos, prensando uma das mulheres que serviam as mesas contra a pia de mármore. O impacto das estocadas dele era bruto, desprovido de qualquer carinho, exatamente como ele fazia comigo naquelas madrugadas de horror.
A mulher, sentindo minha presença, abriu os olhos e sorriu por cima do ombro dele.
— Parece que sua esposa nos encontrou, Don Ettore — ela provocou, a voz ofegante.
Ettore não parou. Ele sequer hesitou. Não houve choque, nem tentativa de se cobrir, nem o menor rastro de culpa. Ele continuou a se enterrar nela, mantendo o p*u dentro da carne da outra enquanto virava o rosto para me encarar com uma frieza que me gelou a alma.
— Saia daqui — ele ordenou, a voz rouca, sem interromper o movimento dos quadris. — Vá para o carro e me espere.
Fiquei paralisada por um segundo, olhando para o homem que me chicoteara por "respeito" e "honra", enquanto ele se exibia daquela forma imunda diante de mim. O nojo foi tão intenso que superou a dor física.
Virei as costas sem dizer uma palavra, cruzando o restaurante com a cabeça erguida, embora por dentro eu estivesse desmoronando.
Eu não era uma esposa. Eu era apenas a fachada de um teatro grotesco. E enquanto caminhava em direção à saída, a fita vermelha escondida na Villa Rossi pareceu brilhar na minha mente como um farol de vingança.