Capítulo 8: Viviana

448 Words
Regina não desviou o olhar, esperando por uma resposta que eu tentava sufocar. — Nada — respondi, a voz saindo mais trêmula do que eu planejava. — Eu já disse, Regina. Eu me perdi entre as tendas e um deles me ajudou a achar o caminho. Regina soltou uma risada curta, desprovida de humor. Ela deu um passo à frente, ignorando minha tentativa de recuo. — Não minta para mim. Eu conheço esse olhar, Viviana. É o mesmo que eu vi no espelho depois que Heracles... fez o que quis comigo. Só que o seu tem um traço de pânico. Baixei a cabeça, os dedos apertando a fita vermelha até os nós dos dedos ficarem brancos. A dor nas costas pareceu pulsar mais forte, como se as marcas de Ettore estivessem me cobrando a verdade. — Ele abriu o meu vestido — confessei, em um sussurro que m*l atravessou o espaço entre nós. — Na tenda de espelhos. Ele desfez cada botão. Regina prendeu a respiração, mas não me interrompeu. — E então os outros dois apareceram. Eu estava cercada. Todos eles me tocaram, Regina. Senti as mãos deles em mim ao mesmo tempo. Era... era como se eu estivesse em chamas e me afogando ao mesmo tempo. — Os três? — Regina perguntou, os olhos brilhando com uma curiosidade crua. — Juntos? — Juntos. Mas eles pararam. O que não sorri perguntou se eu queria ir até o fim. Ele me deu uma saída. E eu fugi, Regina. Corri como se o d***o estivesse atrás de mim, só para chegar aqui e encontrar o d***o de verdade me esperando com o cinto na mão. Regina se aproximou e, desta vez, segurou meu queixo, obrigando-me a encará-la. — Escuta bem o que eu vou te dizer. Ettore não precisa de motivos para te machucar, ele bate porque você é dele, porque ele é um porco que só entende o medo. Se você for uma santa ou se for uma pecadora, o cinto vai descer do mesmo jeito. — Se ele souber da fita, Regina... — Ele não vai saber, mas você vai. Você tem três semanas com esses homens por perto e uma vida inteira de surras pela frente. Se você vai carregar as cicatrizes dele de qualquer maneira, que pelo menos tenha as memórias que valham a pena. Ela caminhou até a porta, parando com a mão na maçaneta. O sorriso perigoso de quem não tinha nada a perder voltou ao seu rosto. — Se for para quebrar o contrato com aquele canalha, não faça por pouco. Se você vai se queimar, que seja um incêndio. Não f**a com um ou com outro, Viviana. f**a os três.
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