Capítulo 4: Viviana

863 Words
O som dos pequenos botões encapados se desprendendo das casas de tecido era a única coisa que eu conseguia ouvir, além do latejar do meu próprio sangue. O terceiro irmão não tinha pressa. Ele movia os dedos com destreza, abrindo o caminho pela minha espinha enquanto seus lábios m*l roçavam a minha pele, deixando um rastro de calor que me fazia arquear as costas. Nos espelhos turvos, eu via a imagem de uma Viviana que eu não reconhecia: meus olhos eram apenas dois globos negros e vidrados, brilhando sob a luz fraca da lâmpada, refletindo o transe de uma mulher que já não sabia onde terminava a razão e onde começava o abismo que se abria dentro de mim. Quando o último botão cedeu, o peso da seda azul escorregou pelos meus ombros. Eu tentei segurar o tecido contra o peito, mas minhas mãos estavam sem força. O vestido caiu até a minha cintura, amontoando-se sobre os meus quadris, deixando-me apenas com a lingerie de renda fina que Ettore considerava um dever, mas que agora parecia uma provocação. A porta dos fundos da tenda de espelhos rangeu. Nos reflexos infinitos, vi o primeiro e o segundo irmão entrando. Eles já não usavam as camisas. O torso de ambos brilhava sob a lâmpada oscilante, os músculos definidos e cobertos por uma fina camada de suor que refletia a luz como se fossem deuses. Eles se aproximaram sem pressa, cercando-me com a certeza da minha submissão. O da cicatriz parou à minha esquerda, enquanto o primeiro se posicionou à direita. O terceiro continuava atrás de mim, suas mãos agora espalmadas na minha cintura nua, os polegares traçando círculos lentos que faziam meu ventre se contrair. — Olhe para você, bonequinha — o que estava à minha frente sussurrou, e eu não sabia qual deles falava, pois as vozes se misturavam na acústica estranha da tenda. — Olhe para o que você esconde sob esse nome de família. Senti as mãos deles me tocarem simultaneamente. Eram mãos grandes, calejadas pela lona e pelas cordas, mas que tocavam minha pele com uma leveza torturante. Um deles deslizou os dedos pelos meus s***s, contornando a renda do sutiã, enquanto o outro descia a palma pela curva do meu quadril, apertando a carne com uma firmeza que me fazia soltar suspiros curtos e involuntários. Eles começaram a beijar meu pescoço, alternando entre lambidas suaves e mordiscos rápidos nos lóbulos das minhas orelhas. O calor era sufocante. Eu estava cercada por cheiro de homem, de esforço e de uma liberdade que me entontecia. De vez em quando, um deles se pressionava contra mim, permitindo que eu sentisse, através da fina camada de tecido das minhas roupas íntimas, o volume e a rigidez do que eles tinham a oferecer. Era um peso quente e pulsante que prometia um prazer que eu sequer sabia nomear. Eu estava hipnotizada. As dezenas de Vivianas nos espelhos pareciam estar sendo tocadas por centenas de brasileiros, uma orgia de reflexos que me fazia perder a noção de onde terminava o meu corpo e onde começava o deles. Minha cabeça pendeu para trás, encontrando o ombro sólido do terceiro irmão. Eu estava começando a me entregar, a fechar os olhos e deixar que o mundo lá fora desaparecesse no vácuo daquele desejo febril. Foi quando eles pararam. O contato físico cessou de forma abrupta, deixando minha pele gritando pelo calor que fora retirado. O terceiro irmão segurou meus ombros e me virou de frente para ele. Ele me obrigou a olhar em seus olhos, que estavam frios e lúcidos, diferentes do meu estado de torpor. Os outros dois deram um passo atrás, cruzando os braços, observando a cena como se esperassem uma ordem. — Você quer ir até o fim, Signora Rossi? — A voz dele cortou o silêncio da tenda como uma lâmina. — Quer que esqueçamos quem você é e o que o seu marido faria se nos encontrasse aqui? A menção ao nome de Ettore foi como um balde de água gelada. A realidade da minha situação desabou sobre mim com o peso de uma avalanche. Onde eu estava? O que eu estava fazendo, seminua em uma tenda de espelhos com três desconhecidos, enquanto meu marido poderia chegar a qualquer momento? O pânico substituiu o prazer em um estalo. Recuei, tropeçando no meu próprio vestido que ainda estava caído nos meus pés. — Eu... eu preciso ir — gaguejei, as mãos trêmulas enquanto puxava a seda azul para cima, tentando cobrir minha nudez o mais rápido possível. Meus dedos, antes ágeis, agora falhavam miseravelmente nos botões. Eu sentia o olhar dos três sobre mim, não mais com desejo, mas com uma curiosidade distante, como se estivessem testando a minha resistência. — O caminho é o mesmo por onde veio — o terceiro irmão disse, abrindo a porta principal da tenda. O ar frio da noite de Afragola invadiu o ambiente, dissipando o cheiro de suor e desejo. Eu não esperei por mais nada. Vesti-me de qualquer jeito, deixando metade dos botões abertos e segurando o tecido com as mãos para que não caísse. Saí da tenda tropeçando, correndo em direção à escuridão dos pomares.
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