Capítulo 20: Viviana

914 Words
O ar pareceu abandonar o espaço entre nós. Eu buscava fôlego, mas só encontrava o cheiro de pele quente e o som dos gemidos de Regina vindos da cabina ao lado. O som era um lembrete constante do que um homem podia fazer com uma mulher, mas ali, cercada por três, a escala da realidade mudava. O primeiro deles, o que me arrastara da multidão, começou a desamarrar o cordão da calça de seda. O da cicatriz fez o mesmo, os olhos fixos nos meus, enquanto o terceiro sentava-se em um banco de madeira entalhada, com as pernas abertas. Eles se despiram sem pressa, deixando as roupas caírem na terra. Procurei por algum sinal de que o ar estivesse impregnado com alguma substância, alguma droga que o circo usasse para entorpecer os sentidos. O calor que subia pelas minhas pernas era impossível para uma noite de março, uma febre que fazia a lã do meu vestido pinicar contra a pele. Mas não havia fumaça, nem incenso. Era apenas a carne. Diante de mim, a anatomia masculina que eu conhecia apenas através da brutalidade apressada de Ettore foi humilhada. Os três exibiam membros que pareciam esculpidos em um material diferente; eram carvalhos cobertos de veias pulsantes, vermelhos de sangue e prontos. Era mais do que eu já tinha sonhado ver, uma força que parecia capaz de me partir ao meio e me costurar de novo. O da cicatriz deu um passo e me prensou por trás, exatamente como na noite em que nos conhecemos. Mas agora não havia a barreira da ignorância. Senti o p*u dele, um cajado rígido e quente, pressionar o tecido do meu vestido. Ele o acomodou entre minhas coxas, movendo o quadril de leve, apenas o suficiente para que eu sentisse a espessura daquela p**a contra a minha i********e. O primeiro irmão, o do rosto fino, pegou a minha mão direita. Ele levou meus dedos até o próprio m****o. Minha mão fechou-se por instinto ao redor da carne firme. Era quente demais, uma chama que parecia queimar minha palma. Mesmo com a mão fechada com força, sobrava muito; a cabeça do p*u reluzia sob a luz da lanterna, latejando contra o meu polegar. Ele começou a movimentar o quadril, ditando um ritmo lento. Senti o p*u entrando e saindo da minha mão, uma jiboia viva e musculosa. Era longo demais para o meu próprio bem, e a sensação de tê-lo sob meu controle, enquanto ele se oferecia, era uma droga muito mais potente do que qualquer ópio. O terceiro, o mais sério, mantinha-se sentado no banco. Suas mãos trabalhavam o próprio c*****o com força, a pele esticando e voltando sobre um p*u que envergava para o lado quando ele descia a mão e se corrigia quando subia. Meus olhos ficaram presos naquele movimento. Imaginei-me saindo do chão, sentando-me naquele colo. Em vez de uma mão calejada, seria a minha b****a subindo e descendo, engolindo aquela estrutura que parecia maior do que as outras duas. Eu queria f***r. Queria fazer isso por vingança a Vittorio, pelo que vira no banheiro do restaurante e pelas palavras de Regina. Ouvindo a minha amiga choramingar de prazer nas mãos de um só homem, eu só conseguia imaginar o quanto eu gritaria tendo os três me preenchendo. Mas eles não avançaram. Não houve o bote, nem a força que Ettore usava para dobrar minha vontade. Eles se masturbavam diante de mim, exibindo-se, deixando que eu visse cada detalhe daquelas chamas em forma de carnes. Eles me deixaram livre. O círculo estava aberto, a escolha era minha. — Quem são vocês? — Perguntei, a voz saindo em um sussurro quebrado, os dedos ainda apertando o p*u do primeiro irmão. A pergunta quebrou o transe do movimento. O que eu segurava parou, cobrindo minha mão com a dele. — Quer saber os nomes antes de saber o gosto? — Ele provocou, com um sorriso de lado. Eu assenti. Precisava de algo real para me segurar antes de me perder de vez. Ali, naquele canto escuro, eles me contaram. Falaram sobre o Brasil, sobre a poeira das estradas, sobre como o trapézio era o único lugar onde se sentiam donos de algo. Disseram a idade, vinte e oito anos — dez anos mais velhos que eu —, os nomes que a mãe dera e os apelidos que o circo impusera. Alisson, aquele que me trouxe e levou minha mão para o seu mastro; Heitor, o que tinha a cicatriz e gostava de esfregar a p**a na minha b***a; e Ulisses, o que tinha a p***a do negócio maior, sério e mais responsável. Seguindo a mesma ordem de apresentação, no circo eram conhecidos como Colibri, Falcão e Ogaraiti. Ouvir os nomes tornou tudo mais perigoso. Eles não eram mais apenas vultos de bronze; eram homens com histórias que agora se entrelaçavam na minha. Apertei a mão de Alisson uma última vez antes de soltá-lo. Recuei devagar, sentindo o frio da noite voltar a morder minha pele conforme me afastava do calor dos corpos deles. Eu não fui até o fim. Não naquela noite. Caminhei de volta para a trilha das oliveiras sentindo o peso da minha própria umidade entre as pernas. Eu retornava para a Villa Rossi, para o mármore e para o silêncio, mas não era mais a mesma mulher. Eu me sentia segura, não porque o perigo tivesse sumido, mas porque agora eu sabia exatamente qual era o tamanho do fogo que me esperava no próximo passo.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD