A tarde estava quente e silenciosa. O som dos cascos dos cavalos e dos assobios dos peões, distantes, preenchiam o horizonte da fazenda. Maya, com os cabelos presos num coque solto e as mãos sujas de terra, podava uma das orquídeas mais frágeis da estufa. Havia encontrado paz naquele refúgio de vidro e folhas. Uma pausa. Um alívio do mundo. Mas aquele silêncio... aquele silêncio não era o mesmo. Ela sentiu antes de ver. Um calafrio na nuca, um ar mais denso, pesado. Ergueu o rosto devagar, ainda ajoelhada, e quando seus olhos se encontraram com a figura parada à porta da estufa, seu coração gelou. — Sentiu saudade, flor? — A voz de Daniel soou como ferrugem. Um sussurro doentio. Maya levantou-se tão rápido que quase tropeçou nos vasos. O sangue abandonou seu rosto, e o medo que ela pen

