A lareira ainda ardia em brasas quando Raul entrou na sala antiga da casa grande. Era tarde, Maya já dormia, e ele queria apenas se distrair, talvez buscar um livro esquecido na estante empoeirada. Mas o que encontrou o deixou paralisado. Entre os papéis queimados no cesto de metal, havia um canto resgatado de uma fotografia. Ele conhecia aquele sorriso. Conhecia aquele abraço. Eram eles. Juntos. O resto da imagem havia se consumido nas chamas, mas aquele fragmento bastava. Raul se abaixou, pegou o papel chamuscado com cuidado e engoliu em seco. O retrato tinha sido queimado... mas por quê? Minutos depois, com passos firmes e um olhar endurecido, ele subiu as escadas. Maya estava acordada, sentada na cama, o cabelo solto, os olhos marejados, como se já soubesse o que ele diria. — Você

