A estufa ainda guardava o calor das mãos dela. Mas Maya já não estava lá. E Raul, com o peito em chamas e a alma inquieta, caminhava sem direção como um homem que perdeu o ar, o norte, o juízo. Ele precisava vê-la. Precisava sentir o perfume dela invadindo seus poros, os olhos dela explodindo os limites da sua razão. Ela não era só desejo. Era vício. Obssessão lícita. Remédio e veneno. A única coisa que o fazia se lembrar de que ainda estava vivo. Quando a encontrou, ela estava na varanda dos fundos, olhando o horizonte como se quisesse fugir de si mesma. A brisa movia os cabelos dela, e o roupão leve dançava contra o corpo, marcando cada curva que ele já conhecia de olhos fechados. — Maya! Ele disse, a voz rouca, carregada de tudo o que segurou por tempo demais. Ela se virou

