A noite foi um castigo para os dois. Ela, trancada no quarto, debatendo-se entre o orgulho e a saudade. Ele, no escritório, mergulhado em trabalho como se planilhas pudessem calar o nome dela martelando em sua mente. Raul não jantou. Ela notou. E doeu. Doía não vê-lo. Doía imaginar o quanto ele também não dormia. Doía demais lembrar do corpo dele se entregando, do jeito que ele dizia o nome dela no escuro, do jeito que ele a olhava como se ela fosse a única coisa que ainda fizesse sentido. — Eu te odeio, Raul — ela sussurrou baixinho, sozinha no quarto. Mas o corpo… o corpo estava traindo o discurso. O corpo queria ele. Ela quase se tocou. Quase. Mas desistiu. Porque imaginar que ele estava no quarto ao lado, trincado de desejo, era tortura demais. Quando ouviu os passos de

