O quarto parecia pequeno demais para o fogo que crescia dentro dela. Maya trancou a porta com firmeza, como se isso bastasse para impedir o desejo de atravessar paredes, memórias e o próprio orgulho. Foi até o banheiro, abriu a torneira da pia e molhou o pescoço com as mãos em concha. Respirava ofegante. A água escorria como se pudesse apagar a chama. Mas não podia. Porque a chama vinha de dentro. — Desgraçado... Ela sussurrou para o espelho, encarando os próprios olhos. — Ainda sabe exatamente onde me tocar. Sem nem colocar as mãos. Sentou na beirada da cama, as pernas fechadas com força. Estava molhada. Quente. A boca dele, as palavras dele, o comando dele: “Deite-se nua na minha cama e me espere lá.” Ela sentiu o ventre contrair só de lembrar. Mas não foi. Não por covardia.

