Era fim de tarde quando Maya desceu pelos fundos da estufa com as mãos ainda sujas de terra e o coração... mais limpo do que nos últimos dias. O vento quente trazia o cheiro de orquídeas e silêncio. Zé Lino a esperava sentado na cadeira de corda trançada, o chapéu cobrindo os olhos, como sempre fazia quando queria pensar sem parecer que pensava. — Ô menina... Ele disse, sem levantar o olhar. — Sabia que cê vinha por aqui hoje. Maya parou ao lado dele, curiosa. — Por quê? — Porque o perfume da orquídea voltou. E só volta quando tem flor viva por perto. Ela sorriu com o canto dos lábios. — A estufa tá viva. Mas eu ainda tô tentando entender se o que eu sinto aqui é flor... ou espinho. Ele riu baixo. — Pode ser os dois. Às vezes é. Zé Lino puxou uma caixinha de madeira que guarda

