O quarto estava à meia-luz. As cortinas balançavam suavemente, como se o ar estivesse carregando mais do que vento, talvez fosse desejo, talvez fosse o peso da decisão de Maya. Ela estava ali. Parada. Diante da porta entreaberta do quarto dele. E quando deu um passo para dentro… não havia mais volta. Raul estava sentado na beira da cama. Camisa aberta. Calça frouxa. Mas os olhos? Os olhos estavam completamente vestidos de uma fome crua, rasgada, urgente. — Você leu… Ele sussurrou, sem se mover. — Eu li… Ela respondeu, e a voz tremeu. Mas não era medo. Era arrepio. Era o corpo gritando antes da boca. Ele se levantou devagar, como uma tempestade silenciosa. Parou diante dela, tão perto que ela podia sentir o calor do seu peito. — Você está aqui por gratidão... ou por de

