A casa estava em silêncio. Tão profundo que Maya podia ouvir o próprio coração batendo. Ela subia as escadas com passos lentos, tentando ignorar o aperto no peito que crescia a cada degrau. Quando alcançou o hall do segundo andar, o corredor iluminado por uma luz suave parecia mais longo que o habitual. E lá estava ele. O quadro. Isabel. O retrato da mulher que um dia ocupara o lugar onde ela agora caminhava. A moldura dourada, o sorriso frio e impecável da mulher pintada a óleo, o vestido sofisticado demais para a simplicidade da fazenda... Tudo ali parecia calculado para lembrar Maya do que ela nunca foi. Ela parou diante do quadro, as mãos cerradas ao lado do corpo. Era estranho como um pedaço de tela e tinta podia doer tanto. Isabel parecia olhá-la de cima, como quem zomba, como q

