O jantar foi servido pontualmente, como sempre acontecia na fazenda. A comida estava perfeita. Os talheres tilintavam contra os pratos de porcelana, e a travessa de carne assada soltava um aroma que preenchia o ar. Mas nenhum dos presentes sentia fome de verdade. O problema não estava na comida, estava nos olhares. Raul mantinha os ombros retos, duros como pedra. O garfo entre os dedos parecia uma arma prestes a perfurar mais do que o bife malpassado à sua frente. A cada vez que Maya abria a boca para falar com Álvaro, o maxilar dele travava um pouco mais. A cada risada contida dela, uma veia em sua têmpora parecia pulsar mais alto. Maya, por outro lado, fazia um esforço quase sobre-humano para manter a compostura. Sentia o peso dos olhos de Raul como um incêndio silencioso, mas não re

