Ela correu. Como da primeira vez. Como quando ele não quis escutar. Como quando Isabel a expulsou da fazenda e Raul não segurou sua mão. Mas agora, não havia gritos. Não havia acusações. Havia um beijo. Um beijo quente demais para ser apenas passado, intenso demais para ser apenas impulso, profundo demais para ser apenas arrependimento. Ela fugia porque ainda queimava. Porque seus lábios ainda estavam latejando com o gosto dele. Porque seus olhos, mesmo fechados, ainda viam o olhar de Raul se rendendo no instante em que ela o beijou. Maya se trancou no quarto, com a respiração descompassada. Encostou-se à porta, o peito arfando. — Por que agora? Sussurrou para si mesma. — Por que justo agora, quando eu estava aprendendo a sobreviver sem ele? Do outro lado do corredor, Rau

