Álvaro sempre foi um homem calado. Dos que olham mais do que falam. Desde que chegou pra reforçar a segurança da fazenda, após o ataque que Maya sofreu, ele nunca me deu motivo pra desconfiar. Era ágil, certeiro no que fazia. Mas hoje… hoje alguma coisa nele me incomodou. Era cedo ainda. O céu m*l clareava quando ouvi passos no corredor que levava ao celeiro. Achei que fosse algum peão se adiantando no serviço, mas era Álvaro. Estava sozinho, caminhando apressado. E não usava o uniforme habitual. Vestia preto, dos pés à cabeça, e carregava alguma coisa no bolso do casaco. Fingi que não vi. Fui atrás depois, como quem não quer nada. No bolso do casaco dele havia vestígios de pólvora. Pólvora. Desde o dia em que o cavalo apareceu morto, ando com o coração pesado. Alguém derrubou a cerca,

