O vapor subia, como se o banheiro estivesse tentando esconder o que o coração de Maya já não conseguia mais disfarçar. Ela girou a torneira até o máximo de calor. A água escorria pelos ombros, pelas costas, entre os s***s… mas nada lavava o fogo que ardia dentro dela. Nada apagava a memória do olhar de Raul, do gesto do chá, da voz baixa dizendo: “Talvez você precise.” Estava em brasa. Mas não era ódio. Não era vingança. Era desejo. Desejo misturado com medo. Ela apoiou as mãos no azulejo frio e fechou os olhos. A gota d’água caía com força entre as pernas, mas o que ela sentia ali não era água. Era ele. Era Raul. E o corpo gritava o que a boca ainda se recusava a dizer: eu ainda te quero. No quarto ao lado, Raul também não dormia. A porta do banheiro entre os quartos permane

