Capítulo 15 – O Olhar de Zé Lino

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Zé Lino não era homem de falar muito. Mas via tudo. Sempre viu. Trabalhava na Fazenda das Orquídeas há mais de vinte anos. Ajudante de Seu Geraldo, sabia cuidar das flores raras e também farejar os climas que se espalhavam pelo ar da casa. Ele carregava no rosto o tempo e no olhar a sabedoria dos que aprenderam a escutar mais do que opinar. Naquela manhã, Zé Lino estava na estufa, organizando as mudas de orquídeas, quando viu Maya chegar. A luz suave atravessava o vidro e tocava os ombros nus dela com delicadeza. Ela caminhava com firmeza, mas havia algo no passo: um peso invisível e uma luta sendo travada por dentro. Zé Lino fingiu não ver, mas viu. Assim como notou quando Raul apareceu minutos depois. O patrão parecia tentar disfarçar, mexendo nas plantas, arrumando ferramentas

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