A casa parecia respirar diferente naquela noite. Os passos dela ecoavam nos corredores com a leveza de quem já não fugia de si mesma. Maya ainda era cautela e fogo. Ainda era resistência e ferida. Mas algo nela havia cedido… talvez fosse o olhar de Raul na estufa, ou a flor que nasceu sem permissão, como o sentimento que ela jurou enterrar. Ela parou diante do espelho. O vestido de algodão colado ao corpo, a pele ainda quente do sol da tarde, os lábios úmidos por lembranças que não se apagavam. Penteou os cabelos devagar, como se alisasse pensamentos. No quarto ao lado, Raul também não dormia. Andava de um lado para o outro com as mãos nos bolsos. O broto da orquídea ainda pulsava nos olhos dele. Mas não era só isso. Era ela. Maya. O corpo que ele reconheceria no escuro. O chei

