O cheiro da madeira molhada ainda pairava no ar quando Maya fechou o portão da estufa com força. As mãos sujas de terra, os joelhos manchados, o coração em frangalhos. Não era só pelo dia puxado, pelas orquídeas delicadas que exigiam tanto de si… era por ele. Era por Raul. Desde que ela abrira a porta do próprio quarto e o encontrara trancado, como uma lembrança c***l de que nada era mais seu além do corpo e da confusão na cabeça, Maya não tinha mais tido paz. A ousadia dele em mover tudo para o quarto dele, a naturalidade com que decretava onde ela deveria dormir, comer, respirar; a deixava sem chão, e, pior ainda, viciada no desequilíbrio. Ela odiava aquilo. Odiava como o coração dela acelerava só de ouvir os passos dele pelo corredor. Como o toque dele : bruto, certeiro e quente; aind

