Ramon Narrando Pâmela entrou no meu apartamento daquele jeito que eu já conheço, celular na mão, olhar atento demais pra quem sempre acha que tá no controle. Nem precisou sentar. — Vai ter baile no PPG hoje — ela avisou, direta. — Movimento grande, gente importante vai colar. E o melhor, em homenagem a sua noivinha. Levantei a sobrancelha na hora. Baile nunca é só baile. É reunião, é ostentação, é erro à mostra. Ignorei ela tentando me cutucar. — Então vai — respondi, sem rodeio. — Quero tudo. Registra o máximo que conseguir. Ela travou. Deu aquele meio sorriso nervoso. — Não pode filmar nem fotografar — disse. — Lá os bandidos não aliviam pra quem desobedece. Aquilo me subiu num nervo que eu já acordei tendo. — Frouxa — falei, seco, sem pensar duas vezes. Ela me encarou. Não bai

