Patrícia Narrando Entrei na papelaria e parei por um segundo, surpresa. Não era nada do que eu tinha imaginado. O lugar era grande, bem iluminado, limpo, tudo organizado em prateleiras coloridas. Cadernos, lápis, mochilas penduradas, cartazes escolares nas paredes. Cheirava a papel novo. Cheirava normal. Aquilo me deu um nó na garganta. Assim que dei mais alguns passos, vi uma garota atrás do balcão. Jovem, postura firme, olhar curioso. Fui até ela com cuidado, sentindo o coração bater forte. — Olá, meu nome é Patrícia — falei baixo. — Eu gostaria de falar com a Dona Deusa. Ela me olhou da cabeça aos pés, sem disfarçar. Avaliou roupa, cabelo, mochila. Depois respondeu seca: — Dona Deusa ainda não chegou. Espera ali. Apontou pra um canto perto da parede. Assenti e fui. Fiquei ali par

