Patrícia Narrando Passei a tarde inteira com fome. O corpo fraco, as mãos tremendo de leve, a cabeça meio zonza. Não comi nada o dia todo, só água. Um copo atrás do outro. Mas não reclamei. Não dei um pio. Aqui, quem reclama demais vira problema. Segurei firme. Limpei o banheiro de novo, esfregando o chão com força, como se pudesse descarregar ali tudo que tava entalado no peito. Quando o relógio marcou dezoito horas e o expediente acabou, fiz uma oração silenciosa. Não pedi nada demais. Só pedi pra Deus que o Vintém não estivesse mais lá fora. Só isso. Eu só queria chegar em casa, esquentar a comida que fiz ontem à noite e comer um pratão em paz. Nem passou pela minha cabeça falar com o Gabiru. Eu conheço bem aquele lixo. Ele não ia resolver nada. Ia rir, ia dizer que eu tava provoca

