Andreza Narrando Leide se levantou da cadeira com uma calma que me arrepiou inteira. Pegou a bolsa, ajeitou no ombro e veio andando devagar até o lado da minha cama, como se estivesse passeando num jardim e não dentro de um quarto de hospital. Meu corpo reagiu antes da minha cabeça. Comecei a tremer sem conseguir controlar. O coração disparou, batendo tão forte que eu tive medo de aquilo chegar no monitor e denunciar o pânico que me dominava. O olhar dela era frio. Não tinha susto, não tinha compaixão. Era um olhar de quem mede distância, de quem calcula possibilidades. Daquelas pessoas que você sabe, no fundo do estômago, que são capazes de qualquer coisa se acharem necessário. — Fica longe de mim — pedi, a voz falhando. — Eu não quero companhia. Não pedi pra ninguém vir. Ela parou a

