PH Narrando Quando a mãe da Liz abriu a boca e soltou que a Liz era filha do Fantasma, eu juro que o chão sumiu. Carälho, nem nos meus melhores sonhos, nem nas minhas piores viagens, eu imaginei uma parada dessa. Fiquei parado, tentando ligar os pontos, olhando pra Liz, pra mãe dela, pro Fantasma ali na minha frente como se fosse uma miragem. Minha sogra começou a falar. E não foi pouco, não. Foi passado vindo à tona igual avalanche. Ela contou tudo que viveu, tudo que sofreu, tudo que fez pra não deixar o arrombado do Roberto encostar um dedo na Liz. Falou de medo, de chifre, de silêncio engolido a seco, de noites sem dormir protegendo a filha como podia. Mano, cada frase era uma pancada. — Eu fiz o que precisei fazer pra salvar minha filha — ela disse, com a voz tremendo, mas firme.

